segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Carta de amor de Marx.


Decorridos treze anos de seu casamento com Jenny, Marx permanecia um apaixonado. O trecho de carta ao seu grande amor está registrado no texto “Marx e as mulheres”, da doutoranda da UFF Anna Marina Madureira de Pinho Barbara Pinheiro.
”(...) Eis que assomas diante de mim, grande como a vida, e eu te ergo nos braços e te beijo dos pés à cabeça, e me prostro de joelhos diante de ti e exclamo: ‘Senhora, eu te amo’. E amo mesmo, com um amor maior do que jamais sentiu o Mouro de Veneza. (...) Qual de meus muitos caluniadores e inimigos de língua viperina censurou-me, algum dia, por ser chamado a representar o principal papel romântico num teatro de segunda classe? E, no entanto, é verdade. Se os patifes tivessem alguma inteligência, teriam retratado ‘as relações produtivas e sociais’ de um lado e do outro, eu a teus pés. E embaixo escreveriam: ‘Olhem para esta imagem e para aquela (...)”

domingo, 14 de outubro de 2012

O casamento de Marx.


A paixão de Marx por sua Jenny foi celebrada em versos do jovem poeta, já postados neste blog. Reservei este espaço para o registro do casamento, em 19 de junho de 1843, feito por  Anna Marina Madureira em “Marx e as mulheres”.

“........ a despeito de tanto medo e insegurança, o casamento, por fim, realizou-se em condições bastante especiais. A oitenta quilômetros de Trier, no elegante balneário de Kreuznach, tendo sido acompanhado apenas pela mãe e um dos irmãos da noiva, Edgar, amigo de Karl desde a infância, além de outros poucos amigos locais. Ninguém da família Marx compareceu. Após a cerimônia, os noivos embarcaram em viagem de lua de mel pelo Reno, da qual retornaram para a casa da baronesa em Kreuznach, até que se definisse onde e quando surgiria o novo jornal que abrigaria Marx.
         Contudo, antes mesmo da definição, o casal já se mudava para Paris, cidade na qual, em 1º de maio de 1844, nasceria a primeira filha de ambos, chamada Jenny, como a mãe, porém, mais conhecida como “Jennychen”, o diminutivo do nome. Entretanto, as dificuldades iniciais com a maternidade levariam Jenny e a filha de volta a Trier, enquanto Marx permaneceria em Paris, dedicando-se ao primeiro e único número do novo jornal e iniciando-se no estudo da economia política britânica.”

domingo, 7 de outubro de 2012

Tributo a Hobsbawn,5


Boa parte da minha juventude foi marcada pela leitura das obras de Eric Hobsbawn ( 1917-2012) . Diversos posts deste blog reproduziram o pensamento de Hobsbawn em momentos diversificados dos séculos “com muro” e “sem muro”. Concluo aqui as repostagens.

A crise de 2008 e os 150 anos do Manifesto.
( 9 de outubro de 2011)
Eric Hobsawm, em entrevista concedida a  Marcelo Musto e publicada em Carta Maior, faz mais uma brilhante análise do renascimento do velho Karl, em plena crise mundial de 2008, quando se comemorava os 150 anos do Manifesto. Veja a resposta à primeira pergunta ou acesse a íntegra em
www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15253

“Há um indiscutível renascimento do interesse público por Marx no mundo capitalista, com exceção, provavelmente, dos novos membros da União Européia, do leste europeu. Este renascimento foi provavelmente acelerado pelo fato de que o 150° aniversário da publicação do Manifesto Comunista coincidiu com uma crise econômica internacional particularmente dramática em um período de uma ultra-rápida globalização do livre-mercado.
Marx previu a natureza da economia mundial no início do século XXI, com base na análise da “sociedade burguesa”, cento e cinqüenta anos antes. Não é surpreendente que os capitalistas inteligentes, especialmente no setor financeiro globalizado, fiquem impressionados com Marx, já que eles são necessariamente mais conscientes que outros sobre a natureza e as instabilidades da economia capitalista na qual eles operam.
A maioria da esquerda intelectual já não sabe o que fazer com Marx. Ela foi desmoralizada pelo colapso do projeto social-democrata na maioria dos estados do Atlântico Norte, nos anos 1980, e pela conversão massiva dos governos nacionais à ideologia do livre mercado, assim como pelo colapso dos sistemas políticos e econômicos que afirmavam ser inspirados por Marx e Lênin. Os assim chamados “novos movimentos sociais”, como o feminismo, tampouco tiveram uma conexão lógica com o anti-capitalismpo (ainda que, individualmente, muitos de seus membros possam estar alinhados com ele) ou questionaram a crença no progresso sem fim do controle humano sobre a natureza que tanto o capitalismo como o socialismo tradicional compartilharam. Ao mesmo tempo, o “proletariado”, dividido e diminuído, deixou de ser crível como agente histórico da transformação social preconizada por Marx.
Devemos levar em conta também que, desde 1968, os mais proeminentes movimentos radicais preferiram a ação direta não necessariamente baseada em muitas leituras e análises teóricas. Claro, isso não significa que Marx tenha deixado de ser considerado como um grande clássico e pensador, ainda que, por razões políticas, especialmente em países como França e Itália, que já tiveram poderosos Partidos Comunistas, tenha havido uma apaixonada ofensiva intelectual contra Marx e as análises marxistas, que provavelmente atingiu seu ápice nos anos oitenta e noventa. Há sinais agora de que a água retomará seu nível.







Tributo a Hobsbawn, 4


Boa parte da minha juventude foi marcada pela leitura das obras de Eric Hobsbawn ( 1917-2012) . Diversos posts deste blog reproduziram o pensamento de Hobsbawn em momentos diversificados dos séculos “com muro” e “sem muro”. Nos próximos dias vou repostar algumas das análises e reflexões que mais me tocaram.

Hobsbawn por inteiro  (26 de janeiro de 2011)

Por ocasião do lançamento de seu novo livro – How to change the world –Hobsbawn concedeu entrevista  ao The Guardian (publicada na FSP em 25/01/11). Publiquei 2 trechos da entrevista. Agora segue a íntegra, com destaque para a sua referência à America Latina, que não sei se elogiosa ou crítica: “Ideologicamente, hoje me sinto mais em casa na América Latina. É o único lugar no mundo em que as pessoas fazem política e falam dela na velha linguagem - a dos séculos 19 e 20, de socialismo, comunismo e marxismo.”
"Guardian" - Há no âmago desse livro um senso de algo que provou seu valor? De que, mesmo que as propostas de Marx possam não mais ser relevantes, ele fez as perguntas certas sobre o capitalismo?
Eric Hobsbawm -
Com certeza. A redescoberta de Marx está acontecendo porque ele previu muito mais sobre o mundo moderno do que qualquer outra pessoa em 1848. É isso, acredito, o que atrai a atenção de vários observadores novos -atenção essa que, paradoxalmente, surge antes entre empresários e comentaristas de negócios, não entre a esquerda.
O sr. tem a impressão de que o que pessoas como George Soros apreciam em parte em Marx é o modo brilhante com que ele descreve a energia e o potencial do capitalismo?
Acho que é o fato de ele ter previsto a globalização que os impressionou. Mas acredito que os mais inteligentes também enxergaram uma teoria que previa o risco de crises. A teoria oficial do período, fim dos anos 90, descartava essa possibilidade.

E o sr. acha que o interesse renovado por Marx também foi beneficiado pelo fim dos Estados marxistas-leninistas?
Com a queda da União Soviética, os capitalistas deixaram de sentir medo, e desse modo tanto eles quanto nós pudemos analisar o problema de maneira muito mais equilibrada. Mas foi mais a instabilidade da economia globalizada neoliberal que, creio, começou a ficar tão evidente no fim do século.
O sr. não está surpreso com o fato de a esquerda marxista e a social-democrata não terem explorado politicamente a crise dos últimos anos?
Sim, é claro. Na realidade, uma das coisas que procuro mostrar no livro é que a crise do marxismo não é só do seu braço revolucionário, mas também do seu ramal social-democrata. O reformismo social-democrático era, essencialmente, a classe trabalhadora pressionando seus Estados-nações. Com a globalização, a capacidade dos Estados de reagir a essa pressão se reduziu concretamente. Assim, a esquerda recuou.
O sr. acha que o problema da esquerda está em parte no fim da classe trabalhadora consciente e identificável?
Historicamente falando, isso é verdade. O que ainda é possível é que a classe trabalhadora forme o esqueleto de movimentos mais amplos de transformação social.
Um bom exemplo é o Brasil, que tem um caso clássico de partido trabalhista nos moldes do fim do século 19 -baseado numa aliança de sindicatos, trabalhadores, pobres em geral, intelectuais e tipos diversos de esquerda- que gerou uma coalizão governista notável. E não se pode dizer que não seja bem-sucedida, após oito anos de governo e um presidente em final de mandato [a entrevista foi feita no final de 2010] com 80% de aprovação.
Ideologicamente, hoje me sinto mais em casa na América Latina. É o único lugar no mundo em que as pessoas fazem política e falam dela na velha linguagem -a dos séculos 19 e 20, de socialismo, comunismo e marxismo.
O título de seu novo livro é "How to Change the World". No final, o sr. escreve: "A substituição do capitalismo ainda me parece possível". A esperança continua forte?
Não existe esperança reduzida hoje. O que digo agora é que os problemas do século 21 exigem soluções com as quais nem o mercado puro nem a democracia liberal pura conseguem lidar adequadamente. É preciso calcular uma combinação diferente.
Que nome será dado a isso não sei. Mas é bem capaz de não ser mais capitalismo, não no sentido em que o conhecemos aqui e nos EUA.



sábado, 6 de outubro de 2012

Tributo a Hobsbawn, 3


Boa parte da minha juventude foi marcada pela leitura das obras de Eric Hobsbawn ( 1917-2012) . Diversos posts deste blog reproduziram o pensamento de Hobsbawn em momentos diversificados dos séculos “com muro” e “sem muro”. Nos próximos dias vou repostar algumas das análises e reflexões que mais me tocaram.

As 4 conquistas permanentes do marxismo.
(15 de janeiro de 2012)

No dia de seu 94º aniversário – 9 de junho de 2011 – Eric Hobsbwam concede entrevista ao blog Beppe Grillo, a propósito do lançamento da versão italiana de seu último livro (How to Change the World - Why rediscover the inheritance of Marxism). Na entrevista, Hobsbawm fala da ascensão da direita na Europa ( faz previsão – confirmada – da derrota da esquerda na Espanha) e apresenta as quatro conquistas permanentes do marxismo. Destaca como a mais relevante, a análise de como o modo capitalista de produção operou e de seu desenvolvimento. Enfatiza o “descontínuo modo através do qual o sistema cresceu e desenvolveu contradições, que por sua vez produziram grandes crises”. E conclui apresentando uma conquista que “Marx talvez não reconhecesse – mas que esteve sempre presente no marxismo: um elemento de utopia”.

“........ no momento, o marxismo deixou de ser o principal sistema de crenças associado aos grandes movimentos políticos de massa em toda a Europa. Apesar disso, acho que sobrevivem alguns pequenos movimentos marxistas. Nesse sentido, houve uma grande mudança no papel político que o marxismo desempenha na política da Europa. Há algumas partes do mundo, por exemplo, a América Latina, em que as coisas não se passaram do mesmo modo. A consequência daquela mudança, na minha opinião, é que agora todos podemos concentrar-nos mais e melhor nas mudanças permanentes que o marxismo provocou, nas conquistas permanentes do marxismo. 
Essas conquistas permanentes, na minha opinião, são as seguintes:
Primeiro, Marx introduziu algo que foi considerado novidade e ainda não se realizou completamente, a saber, a crença de que o sistema econômico que conhecemos não é permanente nem destinado a durar eternamente; que é apenas uma fase, uma etapa no desenvolvimento histórico que acontece de um determinado modo e deixará de existir e converter-se-á noutra coisa ao longo do tempo. 
Segundo, acho que Marx concentrou-se na análise do específico modus operandi, do modo como o sistema operou e se desenvolveu. Em particular, concentrou-se no curioso e descontinuo modo através do qual o sistema cresceu e desenvolveu contradições, que por sua vez produziram grandes crises.
A principal vantagem da análise que o marxismo permite fazer é que considera o capitalismo como um sistema que origina periodicamente contradições internas que geram crises de diferentes tipos que, por sua vez, têm de ser superadas mediante uma transformação básica ou alguma modificação menor do sistema. Trata-se desta descontinuidade, desta assunção de que o capitalismo opera não como sistema que tende a se auto-estabilizar, mas que é sempre instável e eventualmente, portanto, requere grandes mudanças. Esse é o principal elemento que ainda sobrevive do marxismo. 
Terceiro, e acho que aí está a preciosidade do que se poderá chamar de fenômeno ideológico, o marxismo é baseado, para muitos marxistas, num senso profundo de injustiça social, de indignação contra a desigualdade social entre os pobres e os ricos e poderosos. 
Quarto, e último, acho que talvez se deva considerar um elemento – que Marx talvez não reconhecesse – mas que esteve sempre presente no marxismo: um elemento de utopia. A crença de que, de um modo ou de outro, a sociedade chegará a uma sociedade melhor, mais humana, do que a sociedade na qual todos vivemos atualmente. 
Íntegra da entrevista no blog lisboeta:
http://www.esquerda.net/artigo/marxismo-hoje-entrevista-eric-hobsbawm


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Tributo a Hobsbawn, 2


Boa parte da minha juventude foi marcada pela leitura das obras de Eric Hobsbawn ( 1917-2012) . Diversos posts deste blog reproduziram o pensamento de Hobsbawn em diversos momentos dos séculos “com muro” e “sem muro”. Nos próximos dias vou repostar algumas das análises e reflexões que mais me tocaram.

O socialismo fracassou e o capitalismo quebrou. O que virá a seguir?
(15 de outubro de 20110
Artigo de Hobsbawm, no The Guardian, tenta responder a pergunta acima.
A prioridade seria não o aumento do lucro e do consumo, mas a ampliação das oportunidades e capacidades de todos por meio da ação coletiva. Isso significa iniciativa pública sem fundamento na busca do lucro. Decisões orientadas para as melhorias sociais coletivas, com ganho para todos. Hobsbawm encerra o texto tomando como exemplos Londres e a crise do meio ambiente.

“Tomemos o caso de Londres. É evidente que importa a todos nós que a economia de Londres floresça. Mas a prova de fogo da enorme riqueza gerada em algumas partes da capital não é que tenha contribuído com 20 ou 30% do PIB britânico, mas sim como afetou a vida de milhões de pessoas que ali vivem e trabalham. A que tipo de vida têm direito? Podem se permitir a viver ali? Se não podem, não é nenhuma compensação que Londres seja um paraíso dos muito ricos. Podem conseguir empregos remunerados decentemente ou qualquer tipo de emprego? Se não podem, de que serve jactar-se de ter restaurantes de três estrelas Michelin, com alguns chefs convertidos eles mesmos em estrelas. Podem levar seus filhos à escola? A falta de escolas adequadas não é compensada pelo fato de que as universidades de Londres podem montar uma equipe de futebol com seus professores ganhadores de prêmios Nobel.
A prova de uma política progressista não é privada, mas sim pública. Não importa só o aumento do lucro e do consumo dos particulares, mas sim a ampliação das oportunidades e, como diz Amartya Sen, das capacidades de todos por meio da ação coletiva. Mas isso significa – ou deveria significar – iniciativa pública não baseada na busca de lucro, sequer para redistribuir a acumulação privada. Decisões públicas dirigidas a conseguir melhorias sociais coletivas com as quais todos sairiam ganhando. Esta é a base de uma política progressista, não a maximização do crescimento econômico e da riqueza pessoal.
Em nenhum âmbito isso será mais importante do que na luta contra o maior problema com que nos enfrentamos neste século: a crise do meio ambiente. Seja qual for o logotipo ideológico que adotemos, significará um deslocamento de grande alcance, do livre mercado para a ação pública, uma mudança maior do que a proposta pelo governo britânico. E, levando em conta a gravidade da crise econômica, deveria ser um deslocamento rápido. O tempo não está do nosso lado.”


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Tributo a Hobsbawn, 1


Boa parte da minha juventude foi marcada pela leitura das obras de Eric Hobsbawn ( 1917-2012) . Diversos posts deste blog reproduziram o pensamento de Hobsbawn em diversos momentos dos séculos “com muro” e “sem muro”. Nos próximos dias vou repostar algumas das análises e reflexões que mais me tocaram.
Hobsbawn e o fim da “fé na URSS”. ( 26 de fevereiro de 2011)

Em 1971, Hobsbawn  - “Os Intelectuais e a luta de classes” – marca a diferença entre os revolucionários dos anos 60/70 e os de sua geração. Já no início dos anos 70 a fé na “grande revolução de outubro” havia desaparecido – bem antes do desmoronamento do muro, em 89. Selecionei um pequeno trecho:
“ Há, contudo, uma diferença notável entre o novo movimento revolucionário e o da minha geração, nos anos entre guerras. Contávamos, talvez erroneamente, com uma esperança e um modelo concreto de uma sociedade alternativa : o socialismo. Hoje em dia essa fé na grande Revolução de Outubro e na União Soviética desapareceu em grande parte – esta é uma observação de fato, não um juízo – e nada a substituiu. Porque, embora os novos revolucionários busquem possíveis modelos e objetos de lealdade, nenhum dos regimes revolucionários pequenos e localizados – Cuba, Vietnã do Norte, Coréia do Norte ou qualquer outro, mesmo a própria China – representa hoje o que a União Soviética significou em minha época.”
Uma observação: Coréia do Norte a parte, onde Hobsbawn encontraria hoje “regimes revolucionários pequenos e localizados”? A ilha do Caribe, por exemplo, aguarda o óbito do seu carismático líder para acelerar o processo de “abertura”. Dois sintomas da “febre capitalista” da China: 1. Em 2010, o faturamento dos Cassinos de Macau foi quatro vezes os de Las Vegas; 2. Também no ano passado, a China foi maior importador de vinhos de Bordeaux – 20 milhões de litros.


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Cristianismo primitivo e socialismo.


Um dos últimos textos produzidos por Engels – 1895, ano de sua morte – “Contribuição para a história do cristianismo primitivo” traça paralelos entre o desenvolvimento do cristianismo e o socialismo. Segue o parágrafo de abertura.
“A história do cristianismo primitivo oferece curiosos pontos de contato com o movimento operário moderno. Como este, o cristianismo era, na origem, o movimento dos oprimidos: apareceu primeiro como a religião dos escravos e dos libertos, dos pobres e dos homens privados de direitos, dos povos subjugados ou dispersos por Roma. Os dois, o cristianismo como o socialismo operário, pregam uma libertação próxima da servidão e da miséria; o cristianismo transpõe essa libertação para o Além, numa vida depois da morte, no céu; o socialismo coloca-a no mundo, numa transformação da sociedade. Os dois são perseguidos e encurralados, os seus aderentes são proscritos e submetidos a leis de exceção, uns como inimigos do gênero humano, os outros como inimigos do governo, da religião, da família, da ordem social. E, apesar de todas as perseguições, e mesmo diretamente servidos por elas, um e outro abrem caminho vitoriosamente. Três séculos depois do seu nascimento, o cristianismo é reconhecido como a religião do Estado e do Império romano: em menos de sessenta anos, o socialismo conquistou uma posição tal que o seu triunfo definitivo está absolutamente assegurado.”

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O posfácio da 2ª edição alemã do Capital.


Em 1873, Marx escreve o posfácio da 2ª edição alemã do primeiro volume de O Capital e faz uma avaliação de seus críticos.

“O senhor M. Block — Les théoriciens du socialisme en Allemagne. Extrait du Journal des Economistes, juillet et août 1872 — descobre que o meu método é analítico e diz, entre outras coisas:
«Par cet ouvrage, M. Marx se classe parmi les esprits analytiques les plus éminents.»(4*
Os autores de recensões alemães, naturalmente, gritam que é sofística de Hegel. O Mensageiro da Europa, de Petersburgo, num artigo que trata exclusivamente do método do Kapital (número de Maio de 1872, pp. 427-436), acha o meu método de pesquisa rigorosamente realista, mas o meu método de exposição infelizmente germano-dialético. Diz ele:
«À primeira vista, a julgar pela forma exterior da exposição, Marx é um grande filósofo idealista e, precisamente, no sentido "alemão", isto é, o mau desta palavra. De fato, porém, ele é infinitamente mais realista do que todos os seus antecessores em matéria de crítica econômica... De maneira nenhuma se pode já considerá-lo um idealista.»
Não posso responder melhor ao senhor autor do que através de alguns extratos da sua própria crítica, que, além disso, poderão interessar a muitos dos meus leitores para quem o original russo é inacessível.
Depois de uma citação do meu prefácio a Kritik der Pol. Oek , Berlin, 1859, pp. IV-VII, onde debati a base materialista do meu método, o autor prossegue:
«Para Marx só uma coisa é importante: encontrar a lei dos fenômenos, de cuja investigação ele se ocupa. E, para ele, é importante não uma lei que os rege enquanto eles têm uma certa forma e enquanto se encontram na conexão que é observada num dado período de tempo. Para ele, é ainda acima de tudo importante a lei da sua mutabilidade, do seu desenvolvimento, isto é, da passagem de uma forma à outra, de uma ordem de conexões à outra. Uma vez que descobriu esta lei, encara mais em pormenor as consequências nas quais a lei se manifesta na vida social... De acordo com isto, Marx preocupa-se com uma só coisa: demonstrar, através de uma investigação científica precisa, a necessidade de determinadas ordens das relações sociais e por constatar, tão irrepreensivelmente quanto possível, os fatos que lhe servem de pontos de partida e de apoio. Para isso é perfeitamente suficiente que ele, tendo demonstrado a necessidade da ordem atual, demonstre também a necessidade de uma outra ordem, para a qual tem inevitavelmente de ser feita uma passagem a partir da primeira, sendo totalmente indiferente que se acredite ou não nisso, se esteja consciente ou não disso. Marx encara o movimento social como um processo histórico-natural, dirigido por leis que não só não se encontram dependentes da vontade, da consciência e da intenção do homem, como determinam elas próprias a sua vontade, consciência e intenções... Se o elemento consciente na história da cultura desempenha um papel tão subordinado, é compreensível então que a crítica, cujo objeto é a própria cultura, tanto menos possa ter por fundamento qualquer forma ou qualquer resultado da consciência. Isto é, não é a ideia mas apenas o fenômeno exterior que lhe pode servir de ponto de partida. A crítica limitar-se-á à comparação e confronto de um fato, não com a ideia mas com outro fato. Para ela apenas é importante que ambos os fatos sejam estudados o mais precisamente possível e realmente constituam diferentes graus de desenvolvimento; mas acima de tudo é importante que não menos precisamente seja estudada a ordem, a sequência e ligação em que se manifestam estes graus de desenvolvimento [...] A outro leitor pode aqui ocorrer a seguinte questão [...] as leis gerais da vida econômica não são as mesmas, sendo indiferente que se apliquem à vida presente ou à passada? Mas precisamente isto Marx não o admite. Para ele tais leis gerais não existem... Em sua opinião, pelo contrário, cada grande período histórico possui as suas próprias leis... Mas assim que a vida ultrapassou um dado período de desenvolvimento, saiu de um dado estádio e entrou noutro, começa também a ser guiada por outras leis. Numa palavra, a vida econômica oferece-nos neste caso um fenômeno perfeitamente análogo àquilo que observamos noutras classes dos fenômenos biológicos... Os velhos economistas não compreendiam a natureza das leis econômicas, ao considerá-las do mesmo tipo das leis da física e química... Uma análise mais profunda dos fenômenos mostrou que os organismos sociais diferem uns dos outros não menos profundamente do que os organismos botânicos e zoológicos... Um mesmo fenômeno, em consequência da diferença de estrutura destes organismos, da diversidade dos seus órgãos, das diferenças de condições em que os órgãos têm de funcionar, etc, está subordinado a leis perfeitamente diferentes. Marx nega-se, por exemplo a admitir que a lei do aumento da população seja a mesma sempre e em toda a parte, para todos os tempos e para todos os lugares. Afirma, pelo contrário, que cada grau de desenvolvimento tem a sua própria lei da reprodução... Dependendo das diferenças do nível de desenvolvimento das forças produtivas, alteram-se as relações e as leis que as regulam. Ao colocar-se, assim, a si próprio o objetivo de investigar e explicar a ordem capitalista da economia, Marx apenas formulou de um modo rigorosamente científico o objetivo que toda a investigação precisa da vida econômica tem de ter... O seu valor científico reside no esclarecimento das leis particulares a que estão submetidos o surgimento, existência, desenvolvimento e morte de um dado organismo social e a sua substituição por um outro, superior. E o livro de Marx tem de fato este valor.»
O senhor autor, ao descrever tão acertadamente aquilo a que chama o meu método real e tão benevolentemente o que à minha aplicação pessoal dele concerne, que outra coisa descreveu ele senão o método dialético?”



segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Marx. Um aperfeiçoamento de Smith-Ricardo?


Em 1873, Marx escreve o posfácio da 2ª edição alemã do primeiro volume de O Capital e faz uma simpática referência ao economista russo Nikolai Sieber (1844-1888), um dos divulgadores de sua obra na Rússia:
“Na Primavera de 1872, apareceu em Petersburgo uma excelente tradução russa do Kapital. A edição, de 3000 exemplares, está agora já quase esgotada. Já em 1871, o senhor N. Sieber, professor de economia política na Universidade de Kíev, no seu escrito: "Teopiя чжнноcти и кaIIитaдa Д. Pикaрдo" (Teoria do Valor e do Capital de D. Ricardo, etc), tinha demonstrado que a minha teoria do valor, do dinheiro e do capital, nos seus traços fundamentais, era um aperfeiçoamento necessário da doutrina de Smith-Ricardo. O que surpreende o europeu ocidental na leitura do seu sólido livro é a manutenção consequente do ponto de vista puramente teórico.
O método empregue no Kapital foi pouco entendido, como já o demonstram as interpretações dele entre si contraditórias.
Assim, a Revue Positiviste , de Paris, censura-me, por um lado, porque trato a economia metafisicamente e, por outro lado — imagine-se! —, porque me limito a uma dissecação meramente crítica do dado, em vez de prescrever receitas  (contianas?) para as casas de pasto do futuro. Contra a censura de metafísica, observa o Prof. Sieber:
«Na medida em que se trata propriamente da teoria, o método de Marx é o método dedutivo de toda a escola inglesa, os seus defeitos tal como as qualidades são partilhadas pelos melhores economistas teóricos.»

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Fetichismo na economia marxista:um comentário.


O Prof. Valdemir Pires coordenador do Curso de Economia da Universidade Metodista de Piracicaba-UNIMEP publica na revista Impulse comentário didático, com base na visão de Izaak Rubin, sobre o papel do fetichismo no pensamento de Marx. Íntegra em www.unimep.br/phpg/editora/revistaspdf /imp22 _23art09 .pdf
Transcrevo, a seguir, a conclusão, na parte final do artigo.

“A teoria do fetichismo foi a descoberta que conduziu Marx para além dos postulados da Economia Política clássica, pois esta última (especialmente pelas mãos de Ricardo), tomando a forma como a riqueza se distribui entre as classes enquanto o objeto da Economia Política, não se deteve no questionamento das causas que originaram esta forma de distribuição. Marx, pelo contrário, centrou no estudo das relações de produção o objeto da Economia Política e, ao fazê-lo, pôde detectar no fetiche da mercadoria um elemento explicativo do surgimento, da consolidação e do modo de operar destas relações e das formas de distribuição correlatas.
Tendo em vista que não é incomum encontrar afirmações de que há em Marx uma postura ideológica que conduz a uma teoria enviesada do capitalismo, é conveniente, a esta altura, reforçar que, uma vez aceito o método de Marx, não se pode fugir à conclusão de que ele, ao invés de partir de uma ideologia para formular sua teoria, pelo contrário, descobre, com sua teoria (construída com base em método distinto do utilizado pelos economistas clássicos) o caráter ideológico da forma de operar da economia mercantil capitalista. Em outras palavras, sua teoria, graças ao método que utiliza, flagra a ideologia como componente necessário e como resultante da forma de operar da economia mercantil capitalista. Então não é a postura ideológica, mas sim a postura metodológica de Marx que o conduz à descoberta de conceitos que, nos marcos do supostamente asséptico método dos economistas clássicos, são conceitos ideológicos.”


Marx nunca foi marxista.


Mais uma vez, Delfim cita Marx em seu artigo semanal às terças no Valor Econômico. Cada dia mais tendo a achar que o jornalista Milton Coelho da Graça tem razão: Delfim é um marxista infiltrado.
Vamos ao trecho:
“ É verdade absoluta que: Marx nunca foi marxista e tinha dúvidas sobre eles; Keynes nunca foi keynesiano e desconfiava de quem declarasse que o fosse; Samuelson, o criador da síntese neoclássica, teve freqüentes achaques de fraqueza heterodoxa; o sempre abusado Hayek foi muito melhor e mais sofisticado do que o supõem os “não hayekianos”.”

domingo, 9 de setembro de 2012

O Cristóvão Colombo do Capital.


Um dos símbolos maiores do fetichismo da mercadoria – Louis Vuitton – publicou em sua coleção literária “Karl Marx. O  Cristovão Colombo do Capital”, à venda no site da marca francesa por 24 euros. Vale transcrever/traduzir a descrição do livro:
“Viajar com Karl Marx. A seleção de textos de Marx, comentados pelo historiador Jean-Jacques Marie propõe uma viagem universal através dos livros, as ideias,  a história e ainda um inédito sobre a vida e obra de Marx. O leitor, para sua grande alegria, irá descobrir uma faceta pouco conhecida do autor do Capital”.

E por falar em Louis Vuitton, vale destacar a nota publicada hoje/9/10/12 que registra a mudança de domicílio para Bélgica do presidente da boutique de luxo para fugir dos novos tributos criados por Hollande.

domingo, 2 de setembro de 2012

Marx, o capitalismo e a crise.


A cada crise do capitalismo o santo nome de Marx volta a ser pronunciado, nem sempre em vão. Uma das últimas ocorrências foi capa da revista “Eu & Fim de Semana” - na edição de 31/08/12 do jornal Valor Econômico -  com a chamada “O capitalismo e a crise” para dois excelentes ensaios de Luiz Gonzaga Belluzzo e André Lara Resende. Economia nunca foi a minha praia, no entanto, ousaria afirmar que os economistas clássicos – destaque para Adam Smith e Ricardo – fizeram proveitosas análises das origens e do capitalismo até o início do século 19 mas, seu desenvolvimento e suas crises foram missões do velho Karl, apesar da equivocada ditadura do proletariado.
Selecionei um trecho de cada autor, mas recomendo a leitura da íntegra, especialmente, do texto de Belluzzo, que reverencia o parceiro de Engels.

Luiz Gonzaga Belluzzo
“Uma leitura cuidadosa dos "Grundrisse" e dos três volumes de "O Capital" permite compreender que o dinheiro transformado em capital - origem e finalidade da circulação e da produção capitalistas (Dinheiro-Mercadoria-Dinheiro) - não só exige a submissão real da força de trabalho ao domínio das forças produtivas como também impõe aos trabalhadores (e aos proprietários do valor-capital) os ditames da acumulação de riqueza abstrata. A acumulação de mais dinheiro mediante o uso do dinheiro para capturar mais valor sob a forma monetária suscita a transfiguração das formas de expansão do valor, isto é, impõe o predomínio das formas "desenvolvidas": o capital a juros, o dinheiro de crédito e o capital fictício. Nessas formas, o dinheiro-capital realiza o seu conceito de valor que se valoriza e tenta continuamente romper os seus próprios limites ao buscar o acrescentamento do valor sem a mediação da mercadoria força de trabalho. "D-M-D" se converte em "D-D".”

André Lara Resende
“A nostalgia do mundo perdido abre caminho para os novos críticos, mais duros, da sociedade capitalista. A crítica deixa de ser cultural, nostálgica. Passa a denunciar a capacidade destrutiva, desagregadora, das novas forças liberadas numa sociedade integralmente movida pelos interesses materiais. Assim como a valorização dos interesses individuais e do comércio atingiu seu ápice com David Hume e Adam Smith, a mudança de rumo dos ventos intelectuais, a partir do fim do século XVIII, culminou com Karl Marx, na segunda metade do século XIX.”


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Atualidade de Marx, em 1983.


Em 14 de março de 1983, para comemorar - com pontualidade germânica – os 100 anos da morte de Marx, Ernest Mandel escreve artigo sobre “A Atualidade do Marxismo” onde registra a capacidade do velho Karl de compreender “a dinâmica grandiosa e aterradora das revoluções tecnológicas inerentes ao modo de produção capitalista”. Embora tendo sido enviado para um campo de concentração, já no final da guerra, Mandel faleceu em julho de 1995, tendo, portanto, testemunhado a simbólica queda do muro. A frase final do trecho selecionado parece profeticamente elaborada para 2009 ou 2012 : “A grande depressão que atingiu o capitalismo internacional é uma clara confirmação da justeza da análise científica de Karl Marx. “

“O primeiro aspecto – o da capacidade de análise e de previsão científico – é particularmente positivo. Se compararmos o mundo de 1883, ao de 1983, se nos questionarmos se as transformações principais que se produziram são aquelas previstas por Marx e se elas resultam da natureza da sociedade burguesa e das contradições que a rasgam, tais que ele nos ensinou a conhecer, a resposta só pode ser "sim", sem nenhum "mas" importante.
Marx compreendeu, melhor que qualquer sábio ou moralista do seu tempo, a dinâmica grandiosa e aterradora das revoluções tecnológicas inerentes ao modo de produção capitalista, em função mesmo da propriedade privada, da economia de mercado, da concorrência e da sede insaciável que resulta da extorsão crescente da mais-valia do trabalho vivo afim de poder acumular sempre mais capital. Dinâmica grandiosa, porque ela contém a promessa de libertar o Trabalho de todo o esforço produtivo cansativo, não criador e alienante, graças à automatização. Dinâmica aterradora, por que ela conduz à transformação periódica das forças produtivas em forças destrutivas que sapam o progresso da humanidade, destroem o ambiente e arriscam a destruição de todo o planeta.
Ele compreendeu que da concorrência brotaria o monopólio, por sua vez submetido a uma concorrência cada vez mais feroz. Os pequenos capitais seriam absorvidos sem piedade ou esmagados pelos grandes. A sociedade burguesa evoluiria em direção de uma estrutura de forma piramidal, fundada sobre uma imensa maioria de salariados, mas se concentrando em cada país em algumas dezenas de firmas e grupos financeiros gigantescos e, à escala internacional, em algumas centenas de multinacionais que ditariam suas leis a todos os Estados burgueses e esmagariam trabalhadores e povos numa máquina infernal que subordina tudo ao imperativo do lucro.
Ele compreendeu que esta mesma máquina iria se avariar periodicamente, que o regime capitalista produziria, em intervalos regulares, crises econômicas e guerras, cujo custo humanitário aumentaria a longo termo ao ponto de se tornar insuportável e mesmo mortal. Hoje, esses apóstolos que pretenderam, durante os anos 50 e 60, que o Capital tinha finalmente exorcizado seus demônios, que ele garantiria o pleno emprego, o crescimento, o aumento do nível de vida e a paz eterna. A grande depressão que atingiu o capitalismo internacional é uma clara confirmação da justeza da análise científica de Karl Marx. “

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Amor sexual em Marx.


Marshall Berman abre um bom espaço em seu “Aventuras no marxismo” – tradução Sonia Moreira, Companhia das Letras – para o sexo na vida de Marx. Discorre, inclusive, sobre estimulante ambiente sexual do Quartier Latin quando o casal Marx/Jenny para lá se transfere, no início do casamento.
Selecionei um trecho onde Marshall fala do filho de Marx com a criada recebida como “presente de casamento” e a adoção por Engels.

“ Uma das principais forças propulsoras da síntese de Marx parece ter sido o amor sexual. Certos biógrafos já observaram, bem como até mesmo alguns policiais, que o casamento de Karl e Jenny, ainda que envolto em muita turbulência e sofrimento, foi um casamento apaixonado e feliz que durou quarenta anos e só terminou com a morte.
De fato, Marx foi um dos raros grandes pensadores de toda  a história que tiveram um casamento e uma vida familiar felizes. Alguns biógrafos se esforçaram bastante para aumentar as dimensões de todas as rachaduras que puderam encontrar na vida dele: em especial, o caso passageiro de Marx com sua governanta na década de 1850 e seu filho ilegítimo, “Freddy”, adotado por Engels, que viria tornar-se ativista do sindicato britânico dos trabalhadores. Mas mesmo esses biógrafos costumam admitir que não dispõem de muito material com que trabalhar neste sentido.
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Seigel mostra como o amor sexual desempenhou um papel vital na formação da identidade de Marx, ajudando a livrá-lo do isolamento psíquico e centrá-lo no mundo real. Marx pensou e escreveu muito sobre o amor sexual em meados da década de 1840,pouco depois de seu casamento, quando tentava perseguir o ideal de levar uma vida em meio às outras pessoas, como queria seu pai.”
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Podemos perceber um leve vulto num outro comentário sobre o amor, feito na mesma época: o amor, diz Marx, é “a primeira coisa que ensina o homem a acreditar no mundo objetivo fora dele mesmo”.

domingo, 29 de julho de 2012

A onipresença de Marx. Deu na Exame.


O site da revista  de negócios Exame publicou, no dia 11/07/12, que a imagem do velho Karl passou a ilustrar cartões Master Card do banco alemão Sparkasse Chemnitz. Atual símbolo maior do fetichismo da mercadoria, o cartão de crédito reverencia a “descoberta” genial de Marx, quando as pessoas agem como coisas  e as coisas como pessoas. Segue um trecho da matéria.
“O filósofo alemão Karl Marx, fundador das bases teóricas do comunismo, quem diria, virou estampa de um grande símbolo do capitalismo, o cartão de crédito.
A ironia aconteceu na cidade de Chemnitz, no centro-leste da Alemanha, onde o banco Sparkasse Chemnitz, criou um cartão cuja ilustração é um busto de Marx, construído em 1953.
A imagem foi escolhida em uma votação popular pela internet, e teve na disputa 10 importantes instalações da cidade. A mais votada estamparia o cartão de crédito, da bandeira Mastercard.
O busto de Marx venceu com 35% dos votos, à frente de castelos da Idade Média, e do escudo de um time de futebol da região.”