sábado, 29 de setembro de 2018

Burguesia revolucionária.

Em dezembro de 1848, Marx publica no Nova Gazeta Renana, uma brilhante análise do comportamento revolucionário da burguesia nas revoluções de 1648 e de 1789. Segue um trecho.
“Em 1648, a burguesia estava ligada à nobreza moderna contra a realeza, contra a nobreza feudal e contra a Igreja dominante.
Em 1789, a burguesia estava ligada ao povo contra realeza, nobreza e Igreja dominante.
A revolução de 1789 tinha por modelo (pelo menos, na Europa) apenas a revolução de 1648 e a revolução de 1648 apenas a insurreição dos Países Baixos contra a Espanha. Ambas as revoluções estavam avançadas um século, não apenas pelo tempo, mas também pelo conteúdo, relativamente aos seus modelos.

Em ambas as revoluções, a burguesia era a classe que realmente se encontrava na cabeça do movimento. O proletariado e as frações da população urbana não pertencentes à burguesia não tinham ainda quaisquer interesses separados da burguesia ou não constituíam ainda quaisquer classes, ou setores de classes, autonomamente desenvolvidas. Portanto, ali onde se opuseram à burguesia, como, por exemplo, de 1793 até 1794, na França, apenas lutaram pela perseguição  dos interesses da burguesia, ainda que não à maneira da burguesia. Todo o terrorismo francês não foi mais do que uma maneira plebeia de se desfazer dos inimigos da burguesia, do absolutismo, do feudalismo e da tacanhez pequeno-burguesa.”

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Revolução versus Sufrágio Universal

“Os comunistas sabem muitíssimo bem que todas as conspirações são não apenas inúteis, como mesmo prejudiciais. Eles sabem muitíssimo bem que as revoluções não são feitas propositada nem arbitrariamente, mas que, em qualquer tempo e em qualquer lugar, elas foram a consequência necessária de circunstâncias inteiramente independentes da vontade e da direção deste ou daquele partido e de classes inteiras. “ Manuscrito de Engels ( “Princípios Básicos do Comunismo” ) de novembro de 1847 e publicado ,pela primeira vez, em 1914.

 “A conquista do sufrágio universal na Inglaterra seria, por conseguinte, uma reforma que mereceria ser qualificada de socialista, mais do que qualquer outra medida agraciada com esse nome no continente.” Marx, em 1850, no New York Daily Tribune.
“O modo de luta de 1848 está hoje ultrapassado em todos os aspectos.” “Com esta utilização vitoriosa do sufrágio universal entrara em ação um modo de luta totalmente novo do proletariado, modo de luta esse que rapidamente se desenvolveu.” ”A ironia da história universal põe tudo de cabeça para baixo. Nós, os "revolucionários", os "subversivos", prosperamos muito melhor com os meios legais do que com os ilegais e a subversão.” Prefácio de Engels (1895) para a 4ª edição alemã da “Luta de Classes na França 1848-1850”.
Ou como afirmou Pepe Mujica, “ a verdadeira transformação política deve acontecer de baixo para cima, com a democracia”.




domingo, 12 de agosto de 2018

Marx 200 anos

“Uma nota de 0 euro lançada por ocasião do 200º aniversário do filósofo Karl Marx, famoso por suas críticas ao capitalismo, transformou-se num sucesso de vendas na Alemanha.
Mais de 100 mil exemplares da nota já foram vendidos, segundo Hans-Albert Becker, representante da Trier Tourismus und Marketing, empresa responsável pelo turismo em Trier, cidade no sudoeste da Alemanha onde Marx nasceu, em 5 de maio de 1818.” Hoje/12 no Uol


sábado, 21 de julho de 2018

O pré-fetichismo da mercadoria.

“Pesquisa sobre a natureza e as causas da riqueza das nações”(1776), o clássico de Adam Smith antecipa o fetichismo da mercadoria, criação de Marx no Capitulo 1 do 1º volume de O Capital (1867).

“ Entre a maior parte das pessoas ricas, a principal fruição das riquezas consiste na ostentação das mesmas”.

domingo, 8 de julho de 2018

Nicholas Barbon. "Inspiração" do fetichismo da mercadoria ?

Nos três primeiros parágrafos de O Capital, estão duas citações de Nicholas Barbon em anotações de pé-de-página. Nicholas Barbon (1640 /1698) é um dublê de médico e economista e criador do seguro de incêndio, após a catástrofe que destruiu Londres, em 1666. E que o fez um milionário.....
Nas notas de pé-de-página, Marx cita a obra “ A discourse on coining the new Money lighter, de 1696. Em rápida pesquisa, encontrei outro texto de Barbon, não citado por Marx, “A Discurse of Trade” – Um discurso sobre o Comércio, de 1690 – onde ele faz reflexões muito interessantes sobre mercadorias e que podem ter “inspirado” Marx, na criação do Fetichismo da Mercadoria. Vejamos um trecho:
“Mercadorias, que têm o seu valor estabelecido como suprimento das necessidades da mente, satisfazem desejos. Desejo provoca demanda. É o apetite da alma, e é tão natural para a alma, como a fome para o corpo.
As demandas da mente são infinitas, o homem naturalmente aspira, e como a sua mente é elevada, seus sentidos se tornam mais refinados e mais aptos ao prazer, seus desejos são ampliados, e sua demanda cresce com os seus desejos, e a escassez das coisas, gratifica os seus sentidos, adorna seu corpo, e promove a facilidade, o prazer, e o esplendor da vida.

Entre a grande variedade de coisas para satisfazer as demandas da mente, aquelas que adornam o corpo, e fazem avançar o esplendor da vida, tem o uso mais geral, e em todas as idades, e entre todos os tipos da humanos, são as de maior valor.”