segunda-feira, 31 de julho de 2017

Lincoln: um filho honesto da classe operária

Em novembro de 1864, Marx escreve  carta a Lincoln cumprimentando por sua reeleição. Transcrevo a abertura e o último parágrafo, que resume as esperanças, não realizadas, na administração de “um filho honesto da classe operária”.
“Senhor,
Felicitamos o povo Americano pela sua reeleição por uma larga maioria. Se a palavra de ordem reservada da sua primeira eleição foi resistência ao Poder dos Escravistas [Slave Power], o grito de guerra triunfante da sua reeleição é Morte à Escravatura.
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Os operários da Europa sentem-se seguros de que, assim como a Guerra da Independência Americana iniciou uma nova era de ascendência para a classe média, também a Guerra Americana Contra a Escravatura o fará para as classes operárias. Consideram uma garantia da época que está para vir que tenha caído em sorte a Abraham Lincoln, filho honesto da classe operária, guiar o seu país na luta incomparável pela salvação de uma raça agrilhoada e pela reconstrução de um mundo social.”


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Dominação da mercadoria nas sociedades contemporâneas.

O filósofo Gérard Briche publica com o título acima um texto que traz a tese do fetichismo da mercadoria – capitulo inicial do volume 1 de O Capital (1867) – para nossos dias. Segue a tradução livre do parágrafo inicial: “ A mercadoria domina as sociedades contemporâneas, mas o que é exatamente a mercadoria ? É uma coisa banal, e ao mesmo tempo tão enigmática que Karl Marx, quando escreveu O Capital, não parou de refazer a redação do capítulo sobre a mercadoria. É difícil, particularmente difícil, começar por aqui. Alguns ( destaque para Althusser, observação minha) chegam a aconselhar aos leitores debutantes a não começar pela análise da mercadoria. ...........................É verdade que na tradição marxista, fala-se muito mais da luta de classes que do caráter enigmático da mercadoria.”

sexta-feira, 7 de julho de 2017

A contribuição alemã.

“E o que se pode dizer da contribuição alemã à formação do pensamento de Marx e Engels ? Atrasada tanto do ponto de vista econômico quanto cultural, a Alemanha da juventude de Marx não possuía nenhum tipo de socialismo do qual ele pudesse aprender algo.” Hobsbawm, “História do Marxismo”.


sábado, 1 de julho de 2017

História do marxismo.

"A história do marxismo não pode ser considerada como algo acabado, já que o marxismo é uma estrutura de pensamento ainda vital e sua continuidade foi substancialmente ininterrupta desde o tempo de Marx e Engels". Hobsbawm , "História do Marxismo" . Inspiração deste blog....

sábado, 24 de junho de 2017

Marx não morreu.

A edição de sexta-feira ( 23/06/17) do jornal Valor Econômico publica extensa matéria de Helena Celestino com o título acima. A “chamada”: “O Capital, monumental obra sobre a gênese do capitalismo, completa 150 anos e volta a ser estudado em tempos de crise econômica e política.”
Evidentemente, uma obra complexa como a do filósofo de Trier não pode ser resumida em 4 nem em 4 mil páginas. Gostaria de fazer um pequeno e relevante acréscimo. Faltou o registro de algo que hoje, mais que nos tempos de Marx, foi amplificado, muitas vezes, na sociedade de consumo : o fetichismo da mercadoria. Vale lembrar que o 1º capítulo do livro 1 de O Capital é dedicado à mercadoria e a sua seção 4  define o “Fetichismo da Mercadoria e o seu Segredo”.
Para estimular  sua leitura, segue o primeiro parágrafo: “A primeira vista, uma mercadoria parece uma coisa trivial e que se compreende por si mesma. Pela nossa análise mostramos que, pelo contrário, é uma coisa muito complexa, cheia de sutilezas metafísicas e de argúcias teológicas.”

terça-feira, 20 de junho de 2017

O Hegel de Engels

Um equívoco comum em seguidores do marxismo tradicional é a convicção  que o  Engels e o Marx maduros teriam abandonado o hegelianismo da juventude. Segue trecho definitivo de Engels de agosto de 1859:

“O que distinguia o modo de pensar de Hegel de todos os outros filósofos era o enorme sentido histórico que lhe estava subjacente. Por abstrata e idealista que fosse a forma, o desenvolvimento do seu pensamento não deixava de ir sempre em paralelo com o desenvolvimento da história universal, e esta última, propriamente, não deverá ser senão a prova do primeiro.
Ainda que, por este fato, a relação correta tenha sido também invertida e posta de pernas para o ar, o seu conteúdo real penetrou, contudo, por todo o lado, na filosofia; tanto mais que Hegel se diferenciava dos seus discípulos em que não se gabava, como eles, da sua ignorância, mas era uma das cabeças mais sábias de todos os tempos.
Foi ele o primeiro a procurar mostrar um desenvolvimento, um encadeamento interno, na história e, por estranha que agora muita coisa na sua filosofia da história nos possa parecer, a grandiosidade da própria visão fundamental é ainda hoje digna de admiração, quando se lhe comparam os seus predecessores ou mesmo aqueles que depois dele se permitiram reflexões universais sobre a história.”


sexta-feira, 16 de junho de 2017

Marx-tese versus Marx-antítese. Existe Marx-síntese?

Denis Collin, em seu “Compreender Marx”, encerra o prefácio enfatizando as contradições de Marx. Sabemos todos que Marx, sabiamente, não aceitava ser “enquadrado” como marxista. Afinal, marxismo é uma palavra que não pode ser usada no singular.... Confesso que ainda não estou seguro na resposta à questão do titulo, até porque, quanto tempo leva a síntese para se transformar em tese? Quanto mais conheço o velho Karl, mais sei que nada sei sobre o companheiro de Engels e que inspirou o fracassado “socialismo real”. Fica a provocação de Collin.


“Marx é hegeliano e anti-hegeliano, materialista e critico do materialismo, critico da economia política e o último economista clássico, antiestatal e estatal, etc. É interessante, isto não é decisivo, saber se ele é materialista ou não, meio materialista ou seja lá o que for, mas mostrar como a própria contradição, que Marx não destaca, é interessante, quer dizer, nos leva a um problema interessante.”