sábado, 9 de junho de 2018

Hobsbawm e a forma final do socialismo

 Em 1987, 2 anos antes da queda do muro, Hobsbawm publica o texto “Proposta para uma sociedade boa” onde faz um apelo para a esquerda “repensar o socialismo a sério”. Selecionei um pequeno trecho para reflexão.
“O socialismo é um instrumento, não um programa, e tudo que podemos dizer sobre a forma final que o socialismo teria no futuro é que, tal como Karl Marx, não sabemos. Qualquer tentativa de elaborar o mapa da utopia em meio às linhas daquilo que consideramos desejável, no momento, deve fracassar (exceto, talvez, para certos tipos de comunidades pequenas inteiramente autocontidas).”


domingo, 3 de junho de 2018

Mesmo insuficiente, Marx continua sendo necessário.

A afirmativa é do sociólogo francês Alain Bihr em entrevista em fevereiro de 2018, ao Alternative Libertaire. Segue o trecho:

“Dizer que Marx permanece atual é simplesmente afirmar que os princípios de análise (método, conceitos, hipóteses orientadoras, etc.) dos elementos estruturais do capitalismo que ele elaborou continuam sendo necessários, mesmo que possam se revelar insuficientes  para entender que o que é novo hoje no mundo capitalista procede fundamentalmente dessa dialética de invariância dentro e através da mudança. Mesmo insuficiente, Marx continua sendo necessário.”

quarta-feira, 30 de maio de 2018

A onipotência do dinheiro.

Nos “Manuscritos Econômicos-filosóficos” - agosto de 1844, somente publicados em 1932 – Marx  faz, no Terceiro Manuscrito, uma observação instigante sobre o dinheiro. Vale lembrar que 23 anos após, na publicação do  volume I do Capital, é possível constatar uma profunda evolução e o dinheiro é o fetiche supremo. Segue um breve trecho do 3º Manuscrito:
“O dinheiro, já que possui a propriedade de comprar tudo, de apropriar objetos para si mesmo, é, por conseguinte o object par excellence . O caráter universal dessa propriedade corresponde à onipotência do dinheiro, que é encarado como um ser onipotente. . . o dinheiro é a proxeneta entre a necessidade e o objeto, entre a vida humana e os meios de subsistência. Mas, o que serve de medianeiro à minha vida também serve à existência de outros homens para mim. Ele é para mim a outra pessoa.”


domingo, 27 de maio de 2018

O Comunismo antimarxiano.

O sociólogo José de Souza Martins publicou no Valor Económico de 25/05/18 um interessante artigo – “Os miseráveis” – que estimula uma reflexão sobre os desvios dos “tradicionais marxistas” que ainda acreditam na “ditadura do proletariado “- um conceito abandonado por Marx e Engels na idade madura.
A seguir alguns trechos do artigo:
“O sociólogo alemão Max Weber mostrou que o capitalista verdadeiro é o empresário que atende a vocação impessoal de fazer o sistema funcionar. O próprio Karl Marx, autor da primeira teoria cientificamente fundamentada do que é a sociedade capitalista, já havia apontado que o capitalista é um funcionário do capital, e não um senhor feudal da riqueza injustamente acumulada com base em privilégios de mando e dominação. Lucro é outra coisa.”..........................................
“O pseudocapitalismo residual latino-americano e o pseudosocialismo regional, resto de concepções dos fracassos do comunismo antimarxiano, são face e contraface das mesmas insuficiências de compreensão do processo histórico e das limitadas possibilidades da região.”


quinta-feira, 24 de maio de 2018

George Magnus ressuscita Marx

Em agosto de 2011, George Magnus – consultor sênior da União de Bancos Suíços (UBS) – publica artigo no site da Bloomberg com o titulo “Give Marx a chance to save de world economy”. Segue um pequeno trecho.
“Como dizia Marx em O Capital: a razão última de todas as crises reais ainda é a pobreza e o consumo restrito das massas.
Como enfrentar esta crise? Para colocar o espírito de Marx em ação, os dirigentes políticos devem ter como prioridade a criação de postos de trabalho, e considerar outras medidas pouco ortodoxas. A crise não é temporária, e certamente não vai se curar pela paixão ideológica dos governos pela austeridade.”
Magnus é autor de uma frase surrealista sobre Marx: “o velho era um analista bastante sagaz”.



quarta-feira, 23 de maio de 2018

A Burguesia e a Contra-Revolução.

Em dezembro de 1848, Marx publica no Nova Gazeta Renana, uma brilhante análise do comportamento revolucionário da burguesia nas revoluções de 1648 e de 1789. Segue um trecho.
“Não se pode confundir a revolução prussiana de Março, nem com a revolução inglesa de 1648, nem com a francesa de 1789.
Em 1648, a burguesia estava ligada à nobreza moderna contra a realeza, contra a nobreza feudal e contra a Igreja dominante.
Em 1789, a burguesia estava ligada ao povo contra realeza, nobreza e Igreja dominante.
A revolução de 1789 tinha por modelo (pelo menos, na Europa) apenas a revolução de 1648, a revolução de 1648 apenas a insurreição dos Países Baixos contra a Espanha. Ambas as revoluções estavam avançadas um século, não apenas pelo tempo, mas também pelo conteúdo, relativamente aos seus modelos.
Em ambas as revoluções, a burguesia era a classe que realmente se encontrava à cabeça do movimento. O proletariado e as frações da população urbana não pertencentes à burguesia não tinham ainda quaisquer interesses separados da burguesia ou não constituíam ainda quaisquer classes, ou sectores de classes, autonomamente desenvolvidas. Portanto, ali onde se opuseram à burguesia, como, por exemplo, de 1793 até 1794, na França, apenas lutaram pela perseguição  dos interesses da burguesia, ainda que não à maneira da burguesia. Todo o terrorismo francês não foi mais do que uma maneira plebeia de se desfazer dos inimigos da burguesia, do absolutismo, do feudalismo e da tacanhez pequeno-burguesa.
As revoluções de 1648 e de 1789 de modo algum foram revoluções inglesas ou francesas, foram revoluções de estilo europeu. Não foram a vitória de uma classe determinada da sociedade sobre a velha ordem política; foram a proclamação da ordem política para a nova sociedade europeia.
Nelas, a burguesia venceu; mas a vitória da burguesia foi então a vitória de uma nova ordem social, a vitória da propriedade burguesa sobre a feudal, da nacionalidade sobre o provincianismo, da concorrência sobre a corporação, da divisão [da propriedade] sobre o morgadio, da dominação do proprietário da terra sobre o domínio do proprietário pela terra, das luzes sobre a superstição, da família sobre o nome de família, da indústria sobre a preguiça heróica, do direito burguês sobre os privilégios medievais.
A revolução de 1648 foi a vitória do século XVII sobre o século XVI, a revolução de 1789 a vitória do século XVIII sobre o século XVII. Estas revoluções exprimem mais ainda as necessidades do mundo de então do que das regiões do mundo em que se deram, a Inglaterra e a França.”