sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Burguesia revolucionária.

Em dezembro de 1848, Marx publica no Nova Gazeta Renana, uma brilhante análise do comportamento revolucionário da burguesia nas revoluções de 1648 e de 1789. Segue um trecho.
“Em 1648, a burguesia estava ligada à nobreza moderna contra a realeza, contra a nobreza feudal e contra a Igreja dominante.
Em 1789, a burguesia estava ligada ao povo contra realeza, nobreza e Igreja dominante.
A revolução de 1789 tinha por modelo (pelo menos, na Europa) apenas a revolução de 1648, a revolução de 1648 apenas a insurreição dos Países Baixos contra a Espanha. Ambas as revoluções estavam avançadas um século, não apenas pelo tempo, mas também pelo conteúdo, relativamente aos seus modelos.
Em ambas as revoluções, a burguesia era a classe que realmente se encontrava à cabeça do movimento. O proletariado e as frações da população urbana não pertencentes à burguesia não tinham ainda quaisquer interesses separados da burguesia ou não constituíam ainda quaisquer classes, ou sectores de classes, autonomamente desenvolvidas.
As revoluções de 1648 e de 1789 de modo algum foram revoluções inglesas ou francesas, foram revoluções de estilo europeu. Não foram a vitória de uma classe determinada da sociedade sobre a velha ordem política; foram a proclamação da ordem política para a nova sociedade europeia.
Nelas, a burguesia venceu; mas a vitória da burguesia foi então a vitória de uma nova ordem social, a vitória da propriedade burguesa sobre a feudal, da nacionalidade sobre o provincianismo, da concorrência sobre a corporação, da divisão [da propriedade] sobre o morgadio, da dominação do proprietário da terra sobre o domínio do proprietário pela terra, das luzes sobre a superstição, da família sobre o nome de família, da indústria sobre a preguiça heróica, do direito burguês sobre os privilégios medievais.
A revolução de 1648 foi a vitória do século XVII sobre o século XVI, a revolução de 1789 a vitória do século XVIII sobre o século XVII. Estas revoluções exprimem mais ainda as necessidades do mundo de então do que das regiões do mundo em que se deram, a Inglaterra e a França.”



terça-feira, 12 de setembro de 2017

Marx, parte da cultura universal.

Mais uma vez, o velho Karl ocupa boa parte da coluna de Delfim Netto, hoje/12 de agosto, no Valor Econômico. Como sentencia o jornalista Milton Coelho da Graça, Delfim  é um “marxista infiltrado”...rsrsr. Segue um pequeno trecho:
“O conhecimento de Marx e de Engels sobre a ciência e, principalmente, sobre a tecnologia do seu tempo, tinha uma distância abissal em relação aos seus economistas contemporâneos. Foi, sem dúvida, o último dos grandes clássicos. Usou a sua intuição para manipular a dedução e a indução, sempre tentando, no "O Capital", o controle empírico pela história e pela estatística. Hoje, sua herança é parte da cultura universal.”


segunda-feira, 31 de julho de 2017

Lincoln: um filho honesto da classe operária

Em novembro de 1864, Marx escreve  carta a Lincoln cumprimentando por sua reeleição. Transcrevo a abertura e o último parágrafo, que resume as esperanças, não realizadas, na administração de “um filho honesto da classe operária”.
“Senhor,
Felicitamos o povo Americano pela sua reeleição por uma larga maioria. Se a palavra de ordem reservada da sua primeira eleição foi resistência ao Poder dos Escravistas [Slave Power], o grito de guerra triunfante da sua reeleição é Morte à Escravatura.
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Os operários da Europa sentem-se seguros de que, assim como a Guerra da Independência Americana iniciou uma nova era de ascendência para a classe média, também a Guerra Americana Contra a Escravatura o fará para as classes operárias. Consideram uma garantia da época que está para vir que tenha caído em sorte a Abraham Lincoln, filho honesto da classe operária, guiar o seu país na luta incomparável pela salvação de uma raça agrilhoada e pela reconstrução de um mundo social.”


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Dominação da mercadoria nas sociedades contemporâneas.

O filósofo Gérard Briche publica com o título acima um texto que traz a tese do fetichismo da mercadoria – capitulo inicial do volume 1 de O Capital (1867) – para nossos dias. Segue a tradução livre do parágrafo inicial: “ A mercadoria domina as sociedades contemporâneas, mas o que é exatamente a mercadoria ? É uma coisa banal, e ao mesmo tempo tão enigmática que Karl Marx, quando escreveu O Capital, não parou de refazer a redação do capítulo sobre a mercadoria. É difícil, particularmente difícil, começar por aqui. Alguns ( destaque para Althusser, observação minha) chegam a aconselhar aos leitores debutantes a não começar pela análise da mercadoria. ...........................É verdade que na tradição marxista, fala-se muito mais da luta de classes que do caráter enigmático da mercadoria.”

sexta-feira, 7 de julho de 2017

A contribuição alemã.

“E o que se pode dizer da contribuição alemã à formação do pensamento de Marx e Engels ? Atrasada tanto do ponto de vista econômico quanto cultural, a Alemanha da juventude de Marx não possuía nenhum tipo de socialismo do qual ele pudesse aprender algo.” Hobsbawm, “História do Marxismo”.


sábado, 1 de julho de 2017

História do marxismo.

"A história do marxismo não pode ser considerada como algo acabado, já que o marxismo é uma estrutura de pensamento ainda vital e sua continuidade foi substancialmente ininterrupta desde o tempo de Marx e Engels". Hobsbawm , "História do Marxismo" . Inspiração deste blog....

sábado, 24 de junho de 2017

Marx não morreu.

A edição de sexta-feira ( 23/06/17) do jornal Valor Econômico publica extensa matéria de Helena Celestino com o título acima. A “chamada”: “O Capital, monumental obra sobre a gênese do capitalismo, completa 150 anos e volta a ser estudado em tempos de crise econômica e política.”
Evidentemente, uma obra complexa como a do filósofo de Trier não pode ser resumida em 4 nem em 4 mil páginas. Gostaria de fazer um pequeno e relevante acréscimo. Faltou o registro de algo que hoje, mais que nos tempos de Marx, foi amplificado, muitas vezes, na sociedade de consumo : o fetichismo da mercadoria. Vale lembrar que o 1º capítulo do livro 1 de O Capital é dedicado à mercadoria e a sua seção 4  define o “Fetichismo da Mercadoria e o seu Segredo”.
Para estimular  sua leitura, segue o primeiro parágrafo: “A primeira vista, uma mercadoria parece uma coisa trivial e que se compreende por si mesma. Pela nossa análise mostramos que, pelo contrário, é uma coisa muito complexa, cheia de sutilezas metafísicas e de argúcias teológicas.”