sexta-feira, 10 de maio de 2019

Comunismo para crianças

"Um livro para todas as pessoas que desejam um mundo melhor"

Em 2004, a ensaísta alemã Bini Adamczak lançou o livro publicado originalmente com um título diferente do destacado acima (versão inglesa e brasileira). Na publicação germânica o título era “Comunismo: uma pequena história de como tudo finalmente será diferente”.
Nas próximas postagens vamos avaliar o conteúdo.
Para uma reflexão inicial fica um trecho de consistente artigo de Marilia Noleto no Jornal Opção, em julho de 2018, quando do  lançamento em lingua portuguesa:
“A impressão que fica é de que Bini, ao usar a linguagem infantil, trata seus leitores como “alunos do Prézinho”, principalmente aqueles contrários ao comunismo, numa dose de sarcasmo e até mesmo um pouquiiiinho de desdém. É quase como se ela quisesse dizer: “entendeu ou quer que desenhe?”. E por sinal, ela desenha sim! O texto é ilustrado por imagens de sua autoria, com pegada bastante lúdica, garantindo ainda mais leveza e fluidez à leitura, transportando o leitor de volta aos tempos em que se pedia à professora os livros que tinham “figurinhas”. Segue link para íntegra do texto




quarta-feira, 8 de maio de 2019

Hobsbawm e a forma final do socialismo.

Em 1987, 2 anos antes da queda do muro, Hobsbawm publica o texto “Proposta para uma sociedade boa” onde faz um apelo para a esquerda “repensar o socialismo a sério”. Selecionei um pequeno trecho para reflexão.
“O socialismo é um instrumento, não um programa, e tudo que podemos dizer sobre a forma final que o socialismo teria no futuro é que, tal como Karl Marx, não sabemos. Qualquer tentativa de elaborar o mapa da utopia em meio às linhas daquilo que consideramos desejável, no momento, deve fracassar (exceto, talvez, para certos tipos de comunidades pequenas inteiramente autocontidas).”


O fim da "Velha China".

"O isolamento total era condição necessária para a preservação da velha China. Agora que este isolamento cessou brutalmente, graças à Inglaterra, a dissolução da velha China é tão certa como a de uma múmia cuidadosamente conservada num sarcófago hermeticamente fechado e que se expõe ao ar. "
Artigo Marx no New York Daily Tribune em 14/07/1853


domingo, 5 de maio de 2019

Os 201 anos do nascimento de Marx

Um momento de relembrar as suas origens já postadas neste blog:
As origens. 1/3
Trier, a cidade mais antiga da Alemanha – criada pelos romanos no ano 16 a.C. - foi considerada a “segunda Roma” por ser capital do Império Romano do Ocidente, no final do século III . No século IV, a cidade já tinha 80 mil habitantes.
Em 5 de maio de 1818, o autor de O Capital nasce em um quarto do segundo andar da casa alugada por seu pai Hirschel Marx no nº 664 da Brückengasse ( hoje Brückenstrasse, 10) para residência e escritório de advocacia.
Hirschel, dono de dois vinhedos no vale do Mosela, se converte ao luteranismo para exercer sua profissão de advogado e altera seu nome para Heinrich Marx. É bem sucedido em seu trabalho como advogado e compra uma residência, hoje no número 8 da Simeonstrasse, perto do antigo portão romano, Porta Nigra.
O judaísmo está presente na história da família Marx com alguns dos rabinos mais importantes da Europa e lideres religiosos em Trier desde 1693.
O avô do menino Karl, Meyer Halevi, quando se tornou rabino da cidade adotou o nome de Marx Levi.
Uma informação relevante sobre a infância de Marx é a participação de seu futuro sogro, Ludwig von Westphalen, responsável por sua paixão por Shakespeare, Schiller e Goethe. Ludwig e o menino passeavam durante horas pelas florestas à margem do Mosela, discutindo filosofia.
Aos doze anos é aluno da escola Friedrich Wilhelm, no nº2 da Olewiger Strassse. Uma placa faz, hoje,  o registro do emérito estudante.

As origens. 2/3
Em 1830, aos 12 anos, Karl ingressa na escola Friedrich Wilhein e testemunha a interferência do Estado prussiano na vida escolar – os filósofos franceses são proibidos ( ajuda a explicar a paixão futura por Rousseau ) e substituídos pela conservadora filosofia oficial alemã. Oficiais prussianos espionavam a vida escolar – um aluno é preso e o diretor demitido.
Aos 17 anos, ainda na escola, Marx produz um texto para o exame oficial com o título “ Considerações de um jovem para a escolha de uma profissão”. Duas propostas deste trabalho antecipam o futuro do autor: a) a melhor profissão é a que proporciona a oportunidade de trabalhar para a felicidade do maior número de pessoas; b) os obstáculos e necessidades da vida fazem com que ela siga seu curso sem que as pessoas possam determina-lo.
No período escolar aperfeiçoa o seu relacionamento com a família Westphalen, iniciado com as longas conversas com Ludwig ( vide texto 1/3). Fica amigo de Edgar von Westphalen, irmão da paixão eterna de sua vida Jenny von Westphalen.

As origens. 3/3

O relacionamento de Karl com Ludwig von Westphalem e seu colega de escola Edgar von Westphalem, pai e irmão de Jenny, iniciou um relacionamento que iria durar toda uma vida.
Conhecida com “a menina mais bonita de Trier “, Jenny era de uma das famílias mais influentes da aristocracia prussiana. Intelectual apaixonada pelo romantismo alemão e estudiosa da filosofia francesa e alemã seria a principal “revisora” dos futuros manuscritos de Marx.
Dois anos mais velha que sua paixão, desfaz o noivado com um jovem tenente e assume , em 1836 (18 anos de Marx ) um compromisso secreto – casar com o jovem Marx.
O casamento aconteceria apenas em 1843. Durante este período Marx  - estudante em Berlim - vinha a Trier apenas para visitar a amada.






terça-feira, 23 de abril de 2019

"O Final do comunismo histórico"

Abertura do excelente texto de Luiz Sergio Henriques, no Estadão:

"No ato final do comunismo histórico, a partir de 1989, um breve e conhecido texto de Norberto Bobbio, O reverso da utopia, conseguiu dar forma e sentido ao espantoso espetáculo que então se encenava. O mais radical dos sonhos políticos da História – dizia Bobbio – havia se transformado em distopia à moda do pesadelo imaginado por Orwell. Mesmo distantes dos grandes crimes do stalinismo, os regimes inspirados na revolução bolchevique, a URSS em primeiro lugar, arrastavam-se penosamente num quadro de ineficiência econômica, pasmaceira social e autoritarismo político, no qual se abria um fosso insuperável entre ideia e realidade, palavras e fatos, grandes ideais e realidades prosaicas da vida."

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Marx no mundo digital


O sociólogo Alain Bihr, apaixonado pelo pensamento marxista, não hesita em responder a uma pergunta provocativa durante entrevista em outubro de 2017.
A pergunta: No momento da digitalização, uberização, economia de plataformas, etc., qual é a relevância da leitura, estudo ou referência a um autor tão antigo (alguns diriam  datado) como   Karl Marx   ?
A resposta: Esta questão é ingênua. Ela procede da ignorância de uma das características fundamentais e específicas do modo de produção capitalista que Engels e Marx apontaram logo no Manifesto Comunista : o fato de que ele não pode reproduzir suas relações constitutivas (as relações de produção, propriedade, classe, etc.) sem constantemente perturbar suas formas e conteúdos.  Em uma palavra, a invariância estrutural do modo de produção capitalista só é possível na e através da permanente mudança de modos de produção, consumo, habitação, etc no , viver em suma, ao qual ele coloca a humanidade sob seu controle. Dizer que Marx permanece atual é simplesmente afirmar que os princípios de análise (método, conceitos, hipóteses orientadoras, etc.) dos elementos estruturais do capitalismo que ele elaborou continuam sendo necessários, mesmo que possam provar insuficiente, entender que o que é novo hoje no mundo capitalista procede fundamentalmente dessa dialética de invariância na e através da mudança. Mesmo insuficiente, Marx continua sendo necessário. “