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quarta-feira, 30 de maio de 2018

A onipotência do dinheiro.

Nos “Manuscritos Econômicos-filosóficos” - agosto de 1844, somente publicados em 1932 – Marx  faz, no Terceiro Manuscrito, uma observação instigante sobre o dinheiro. Vale lembrar que 23 anos após, na publicação do  volume I do Capital, é possível constatar uma profunda evolução e o dinheiro é o fetiche supremo. Segue um breve trecho do 3º Manuscrito:
“O dinheiro, já que possui a propriedade de comprar tudo, de apropriar objetos para si mesmo, é, por conseguinte o object par excellence . O caráter universal dessa propriedade corresponde à onipotência do dinheiro, que é encarado como um ser onipotente. . . o dinheiro é a proxeneta entre a necessidade e o objeto, entre a vida humana e os meios de subsistência. Mas, o que serve de medianeiro à minha vida também serve à existência de outros homens para mim. Ele é para mim a outra pessoa.”


sábado, 3 de março de 2018

Marx não era marxista.

“Je ne suis pas marxiste”. A frase de Marx em carta a seu genro Paul Lafargue (casado com Laura) é origem da polêmica, que persiste até hoje, entre os estudiosos da obra do parceiro de Engels. O que Karl afirmava, na carta de 1870, era que os marxistas franceses estavam deturpando suas ideias. Algo que dezenas de anos após iria se repetir com Althusser ao sugerir pular a leitura do primeiro capítulo do Livro 1 de O Capital por ser “muito hegeliano”,,,,
Imaginemos Marx viajando no tempo até a União Soviética do marxista Stalin.
Com certeza uma reação muito semelhante à de Jesus “viajando” até a Europa da Inquisição – “Je ne suis pas chrétien”.
Vale recordar um texto recente de Delfim Netto no jornal Valor Econômico:
“ É verdade absoluta que: Marx nunca foi marxista e tinha dúvidas sobre eles; Keynes nunca foi keynesiano e desconfiava de quem declarasse que o fosse; Samuelson, o criador da síntese neoclássica, teve freqüentes achaques de fraqueza heterodoxa; o sempre abusado Hayek foi muito melhor e mais sofisticado do que o supõem os “não hayekianos”.”







quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

O essencial em Marx

Em fevereiro de 2012, Denis Collin publica  “Quatro Questões sobre Marx”. Segue, em tradução livre, a questão 3 – O que ficou de essencial de Marx ?
"Marx propõe uma teoria da emancipação baseada na compreensão dos mecanismos do modo de produção capitalista. E, o que é mais relevante, uma teoria da emancipação dos indivíduos e não um "coletivismo". Não é uma questão de comunismo agressivo, que visa apenas a equalização das carteiras, mas à liberdade dos indivíduos, uma liberdade que só pode começar além do trabalho ditado pela necessidade, uma liberdade que seja o pleno desenvolvimento das potencialidades de cada um, uma vida onde o homem seja o seu próprio objetivo.
Este objetivo pode ser ambicioso e até muito ambicioso. Mas essa teoria da emancipação pressupõe uma crítica radical das relações sociais impostas por uma sociedade em que as relações entre os humanos aparecem sob a forma de relações entre as coisas, como explicado na seção I do "Capital" (aquela que  Althusser aconselha a "pular") com a análise do fetichismo.
Ao ler "Capital" com esta perspectiva, ficará claro que esta não é uma "economia marxista", mas um ótimo livro de filosofia, porque são precisamente essas análises da seção I, tão frequentemente qualificadas como como "metafísicas", que comandam todo esta obra inacabada.”





sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

O fetichismo da mercadoria X Althusser

Os marxistas clássicos sempre tiveram grande dificuldade de absorver o conteúdo do capítulo inicial do volume 1 de O Capital, especialmente a seção 4 : “O fetichismo da mercadoria e seu segredo”. Vale lembrar que o próprio autor, no prefácio da 1ª edição alemã ( 1867), registrava as “dificuldades” do entendimento do 1º capítulo. Para avaliar essa “dificuldade” segue trecho do prefácio de Althusser para a edição francesa da obra maior de Marx:

“As maiores dificuldades teóricas, além de tantas outras, que constituem obstáculo a uma leitura fácil do livro I d’O Capital, estão, infeliz (ou felizmente) concentradas no próprio início do livro I, mais precisamente em sua seção I, que trata de ‘A mercadoria e a moeda’. Dou então o seguinte conselho: colocar PROVISORIAMENTE ENTRE PARÊNTESES TODA A SEÇÃO I e COMEÇAR A LEITURA PELA SEÇÃO II: ‘A transformação do dinheiro em capital’. A meu ver, só é possível começar (e somente começar) a compreender a seção I, após ter lido e relido todo o livro I a partir da seção II. Este conselho é mais do que um conselho: é uma recomendação que, com todo o devido respeito a meus leitores, eu me permito apresentar como uma recomendação imperativa. Cada um poderá fazer a experiência prática disso. Se se começar a ler o livro I por seu começo, isto é, pela seção I, ou ele não é compreendido, ou ele é abandonado; ou acredita-se compreendê-lo, o que é considerado um clássico no ainda mais grave, pois há grandes chances de ter compreendido outra coisa do que se deveria compreender.”

O fetichismo da mercadoria fé.

Um texto relevante de Alexandre Gomes – reproduzido no blog “O Espiritualismo Ocidental” – revela como o conceito de fetichismo da mercadoria, criado por Marx, é “um dos mais úteis para se compreender a realidade do mundo pós-moderno, apropriadamente chamado de sociedade de consumo.” Segue um pequeno e estimulante trecho:
“O conceito de fetichização dos bens culturais, tal como é desenvolvido em Adorno, talvez forneça uma pista importante para se compreender também outros aspectos da sociedade pós-moderna: Até que ponto não é possível falar, por exemplo, de uma fetichização da fé, transformando a salvação em mera mercadoria e a apreciação das palavras reveladas como um setor específico da indústria de espetáculos?
Consumiriam-se pregações assim como se consome a música da moda na FM, não pelo valor intrínseco da mensagem, pelo prazer e reflexão que ela proporcionaria, mas da mesma forma como se consome um iogurte ou se veste uma roupa de grife.”
Íntegra do texto em
http://oespiritualismoocidental.blogspot.com.br/2011/03/salvacao-como-mercadoria-e-espetaculo.html