sexta-feira, 1 de abril de 2011

Trotsky. A visão crítica do Manifesto. Parte 8


Em outubro de 1937, Trotsky escreve o prefácio da edição Sul-Africana do Manifesto de 1848 e faz uma serena e sensata revisão critica de partes do Manifesto. Neste 8º trecho selecionado, Trotsky fala do trecho que mais envelheceu no Manifesto. Lembra, ainda, que, “segundo Marx, nenhuma ordem social deixa a cena da História antes de haver esgotado todas as suas possibilidades”.
8. O trecho que mais envelheceu no Manifesto - não quanto a seu método, mas quanto a seus objetivos - é a crítica da literatura "socialista" da primeira metade do Século XIX (Capítulo 3) e a definição da posição dos comunistas em relação aos diversos partidos de oposição <Capítulo 4g. As tendências e os partidos enumerados pelo texto foram varridos tão radicalmente pela revolução de 1848, ou pela contra-revolução que se seguiu, que a História já não os menciona sequer. Entretanto, mesmo com respeito a este trecho, o Manifesto encontra-se mais próximo de nós do que o estava em relação à geração anterior. Na época de prosperidade da II internacional, quando o marxismo parecia reinar absolutamente no movimento operário, as idéias do socialismo anteriores a Marx podiam ser consideradas como definitivamente ultrapassadas. Hoje isso já não é mais verdade. A decadência da social-democracia e da Internacional Comunista provoca, a cada passo, monstruosas recaídas ideológicas. O pensamento senil recai, por assim dizer, na infância. À procura de fórmulas salvadoras, os profetas da época de declínio geral do capitalismo redescobrem doutrinas há muito enterradas pelo socialismo científico.
No que diz respeito ao problema dos partidos de oposição, as décadas que nos separam do Manifesto provocaram as mais profundas mudanças: não apenas os velhos partidos foram há muito substituídos por novos, como também o próprio caráter dos partidos e de suas mútuas relações modificou-se radicalmente. Sob as condições da época imperialista, o Manifesto, portanto, deve ser complementado pelos documentos dos quatro primeiros congressos da Internacional Comunista, pela literatura fundamental do bolchevismo e pelas decisões das conferências do movimento pela IV Internacional.
Lembramos acima que, segundo Marx, nenhuma ordem social deixa a cena da História antes de haver esgotado todas as suas possibilidades. Entretanto, uma ordem social, mesmo já tendo caducado, não cede seu lugar sem opor resistência a uma nova ordem. A sucessão dos regimes sociais supõe a mais áspera luta de classes, isto é a revolução. Se o proletariado, por uma razão ou outra, se mostra incapaz de derrubar a ordem burguesa que sobrevive, não resta ao capital financeiro, em luta para manter seu domínio abalado, senão transformar a pequena burguesia, por ele levada ao desespero e à desmoralização, no exército de terror do fascismo. A degeneração burguesa da social-democracia e a degeneração fascista da pequena burguesia estão entrelaçadas como causa e efeito.

domingo, 27 de março de 2011

Trotsky. A visão crítica do Manifesto. Parte 7


Em outubro de 1937, Trotsky escreve o prefácio da edição Sul-Africana do Manifesto de 1848 e faz uma serena e sensata revisão critica de partes do Manifesto. Neste 7º trecho selecionado, Trotsky justifica porque o Manifesto “esquece” a luta dos povos coloniais pela independência e afirma que o mérito da estratégia da luta para os colonizados, é de Lênin.
“7. Mostrando como o capitalismo arrebanha em seu turbilhão os países atrasados e bárbaros, o Manifesto nada diz a respeito da luta dos povos coloniais e semi-coloniais pela sua independência. À medida que Marx e Engels pensavam que a vitória da revolução socialista, "nos países civilizados pelo menos", era uma questão a ser resolvida nos anos seguintes, o problema das colônias resolver-se-ia igualmente não como o resultado de um movimento autônomo dos povos oprimidos, mas, simplesmente, como a conseqüência da vitória do proletariado nas metrópoles capitalistas. Esta é a razão pela qual as questões da estratégia revolucionária nos países coloniais e semi-coloniais nem mesmo estão esboçadas no Manifesto. Mas elas exigem soluções particulares. Dessa forma, é evidente que se a "pátria nacional" se tornou o pior obstáculo à revolução proletária nos países capitalistas avançados mantém-se ainda como um fator relativamente progressista nos países atrasados que são obrigados a lutar por sua existência nacional independente. "Os comunistas, declara o Manifesto, apoiam, em todos os países, qualquer movimento revolucionário contra a ordem social e política existente. " O movimento das raças de cor contra os opressores imperialistas é um dos mais poderosos e importantes movimentos contra a ordem social existente e é esta a razão pela qual necessita do total apoio, indiscutível e sem reticências, do proletariado de raça branca. O mérito de haver desenvolvido a estratégia revolucionária dos povos oprimidos é, sobretudo, de Lênin.”

quinta-feira, 17 de março de 2011

Erich Fromm. Socialismo era movimento espiritual.


Erich Fromm, em seu “Meu Encontro com Marx e Freud” mostra os pontos de contato entre as duas doutrinas: a psicanálise e o marxismo. Faz algumas afirmativas originais, como classificar os primeiros cinquenta ou sessenta anos de socialismo como “o movimento espiritual mais importante e autêntico do mundo ocidental”.
“A teoria marxista, bem como o movimento socialista, era radical e humanista – radical no sentido acima mencionado de ir às raízes,sendo estas o homem; humanista no sentido de ser o homem a medida de todas as coisas, que sua plena realização deve ser a finalidade e o critério de todos os esforços sociais. A libertação do homem da pressão das condições econômicas que impediam seu desenvolvimento pleno era o objetivo de todos os pensamentos e esforços de Marx. O socialismo, naqueles primeiros cinquenta ou sessenta anos, era – embora não usasse linguagem teológica – o movimento espiritual mais importante e autêntico do mundo ocidental.”

domingo, 13 de março de 2011

Trotsky. A visão crítica do Manifesto. Parte 6


Em outubro de 1937, Trotsky escreve o prefácio da edição Sul-Africana do Manifesto de 1848 e faz uma serena e sensata revisão critica de partes do Manifesto. Neste 6º trecho selecionado, Trotsky mostra o equívoco do prognóstico de que “a revolução burguesa alemã seria o prelúdio da revolução proletária”.

“6. Para justificar a esperança de que "a revolução burguesa alemã... será o prelúdio da revolução proletária", o Manifesto cita que as condições gerais da civilização européia de então, assim como do proletariado, eram bem mais desenvolvidas do que na Inglaterra do Século XVII ou na França do Século XVIII. O erro deste prognóstico não está apenas na questão do prazo, Alguns meses mais tarde, a Revolução de 1848 mostrou, precisamente, que, em presença de condições mais avançadas, nenhuma das classes burguesas é capaz de levar a revolução até o fim: a grande e a média burguesia estão muito ligadas aos proprietários fundiários e muito unidas pelo medo das massas; a pequena burguesia muito dispersa e seus dirigentes muito dependentes da grande burguesia. Como demonstrou a posterior evolução dos acontecimentos na Europa e na Ásia, a revolução burguesa, em si mesma, não mais pode realizar-se. A purificação da sociedade dos males feudais só é possível se o proletariado, liberto das influências dos partidos burgueses for capaz de se colocar à frente do campesinato e estabelecer sua ditadura revolucionária. Em função disso, a revolução burguesa mescla-se com a primeira fase da revolução socialista para, nesta, dissolver-se em seguida. A revolução nacional torna-se, assim, apenas um elo da revolução proletária internacional. A transformação dos fundamentos econômicos e de todas as relações sociais adquirem um caráter permanente.
Para os partidos revolucionários dos países atrasados da Ásia, América Latina e África, a compreensão clara da relação orgânica entre a revolução democrática e a revolução socialista internacional é uma questão de vida ou morte.”

A "falência" da moderna filosofia burguesa.


Em novembro de 2010, Alan Woods produz longo texto de análise da “crise final” do capitalismo, iniciada nos EUA e que contamina toda a Europa. Em “Porque somos marxistas”, o novo ideólogo de Chávez, faz algumas afirmativas surrealistas:

“Em nenhuma outra esfera a crise da ideologia burguesa é mais transparente do que no campo da filosofia. Em seus estágios iniciais, quando a burguesia representava o progresso, ela foi capaz de produzir grandes pensadores: Hobbes e Locke, Kant e Hegel. Mas no estágio de sua decadência senil, a burguesia é incapaz de produzir grandes idéias. Na verdade, ela é absolutamente incapaz de produzir quaisquer idéias.
Tornada incapaz de produzir generalizações ousadas, a moderna burguesia nega o próprio conceito de ideologia. É por essa razão que os pós-modernistas falam do “fim da ideologia”. Eles negam o conceito de progresso simplesmente porque sob o capitalismo nenhum progresso subseqüente é possível. Engels uma vez escreveu: “A filosofia e o estudo do mundo atual têm a mesma relação entre si que a masturbação e o amor sexual”. A moderna filosofia burguesa prefere a masturbação ao amor sexual. Em sua obsessão por combater o marxismo, ela arrastou a filosofia para o pior período de seu velho, desgastado e estéril passado.”

sábado, 12 de março de 2011

Kautsky e a "inconsciência" do proletariado


Karl Kautsky - quem o contesta? – foi o teórico mais conhecido da 2ª Internacional e considerado, justamente, uma autoridade em marxismo. Editor da Revista Die Neue Zeit, por ele fundada em 1883 ( ano da morte de Marx), escreveu em 1901, um provocante artigo – “Um Elemento importado” onde faz contundente critica aos que interpretam o pensamento de Marx afirmando que o desenvolvimento do capitalismo cria, no proletariado, a consciência socialista. “isso é inteiramente falso”, afirma Kautsky.

“Vários de nossos críticos revisionistas atribuem a Marx a  afirmação de que o desenvolvimento econômico e a luta de classes não apenas criam condições para a produção socialista mas também geram diretamente a consciência de sua necessidade. Depois, estes mesmos críticos objetam que a Inglaterra, país de desenvolvimento capitalista mais avançado, é a mais alheia a essa consciência. O projeto de programa austríaco partilha também deste ponto de vista, supostamente marxista ortodoxo, que refuta o exemplo da Inglaterra. O projeto diz: "Quanto mais o proletariado aumenta, em conseqüência do desenvolvimento capitalista, mais é coagido e tem possibilidade de lutar contra o capitalismo. O proletariado chega à consciência da possibilidade e da necessidade do socialismo. Em conseqüência, a consciência socialista seria resultado necessário, direto, da luta de classes do proletariado”. Isso é inteiramente falso.
Como doutrina, o socialismo tem, evidentemente, suas raízes nas relações econômicas atuais no mesmo grau que a luta de classes do proletariado; da mesma forma que a última, ele decorre da luta contra a pobreza e a miséria das massas, geradas pelo capitalismo. Mas o socialismo e a luta de classes surgem e não se engendram um do outro; surgem de premissas diferentes. A consciência socialista, hoje, só pode brotar na base de um profundo conhecimento científico.”

quarta-feira, 9 de março de 2011

Marx e a "Unificação dos Crentes em Cristo".


Pouco se conhece da juventude de Marx. Selecionei dois textos para uma reflexão inicial. O primeiro do site “Mundo dos Filósofos” e o segundo do blog “heterodoxo-relapso” ( em espanhol).
De sua juventude não se sabe nada significativo. É apenas interessante observar que o futuro ateísta fanático tenha escrito um ensaio de conclusão do curso secundário sobre o tema “A Unificação dos Crentes em Cristo”.”

Buena prueba de la ausencia de aquella influencia religiosa es el segundo de los tres ejercicios escolares que tuvo que presentar para aprobar su bachillerato. Se titulaba Una demostración, según el evangelio de San Juan, de la naturaleza, necesidad y efectos de la unión de los creyentes de Cristo. Expresa todavía la persistencia confesional del cristianismo que imperaba en el ambiente escolar que, en todo caso, no era el judaísmo sino el protestantismo, también minoritario en Tréveris, donde la mayoría era católica.”

terça-feira, 8 de março de 2011

Marx versus Freud parte 2


No site www.perfeicao.org, Glauber Ataíde reproduz um texto de Freud, onde ele revela que conhece pouco o marxismo e desfaz o principal conflito com a psicanálise:
"Sei que os meus conhecimentos sobre o marxismo não revelam nenhuma familiaridade maior, não mostram uma compreensão adequada dos escritos de Marx e Engels. Fiquei sabendo mais tarde, com certa satisfação, que nem um nem o outro negaram a influência dos fatores do ego e do superego. Isso desfaz o principal conflito que eu pensava existir entre o marxismo e a psicanálise.
Esta última citação eu extraí do livro "O marxismo na batalha das idéias", de Leandro Konder, p. 111.”

Marx versus Freud parte 1


Moishe Postone, professor de história da Universidade de Chicago, tem despertado a ira dos marxistas ortodoxos. Tenho dedicado algumas postagens a Postone, que, em setembro de 2010, foi um dos palestrantes do Congresso Marx Internacional, na Sorbonne. No trecho a seguir, extraído de “ Necessidade, Tempo e Trabalho” o marxólogo faz uma análise brilhante dos paralelos entre a “noção de história da formação capitalista e a noção de história individual, em Freud”.  (íntegra do texto em htpp://obeco.no.sapo.pt/mpt2.htm)

“Tenho a impressão de que existe um paralelo entre esta noção de história da formação social capitalista e a noção de história individual, em Freud, em que o passado não aparece como tal, mas sob uma forma velada e internalizada, que domina o presente. A tarefa da psicanálise é desvelar o passado de tal forma que sua apropriação se torne possível. O momento necessário de um presente compulsivamente repetitivo é assim destruído – o que permite ao indivíduo ir para o futuro. Este paralelo merece maior investigação, de forma a determinar se é meramente contingente ou se poderia servir como ponto de partida de uma tentativa de estabelecer uma mediação entre a história do indivíduo e aquela da formação social.”

quinta-feira, 3 de março de 2011

Marx X Adam Smith X Keynes parte 2


A mais eficaz medida de interesse por um tema na web é o numero de “resultados” em uma busca no Google. Às 17 horas de 6 de janeiro de 2011, eram os seguintes os resultados para Marx – 24,4 milhões; Adam Smith – 11 milhões e Keynes – 13,5 milhões.  Às 23 horas de 3 de março de 2011 os números eram Marx – 48,7 milhões; Adam Smith – 14,8 milhões; Keynes – 22,3 milhões. A cada dia, o velho Karl é mais revisitado !!!!!!!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Hobsbawn e o "fim da fé na URSS".


Em 1971, Hobsbawn  - “Os Intelectuais e a luta de classes” – marca a diferença entre os revolucionários dos anos 60/70 e os de sua geração. Já no início dos anos 70 a fé na “grande revolução de outubro” havia desaparecido – bem antes do desmoronamento do muro, em 89. Selecionei um pequeno trecho:
“ Há, contudo, uma diferença notável entre o novo movimento revolucionário e o da minha geração, nos anos entre guerras. Contávamos, talvez erroneamente, com uma esperança e um modelo concreto de uma sociedade alternativa : o socialismo. Hoje em dia essa fé na grande Revolução de Outubro e na União Soviética desapareceu em grande parte – esta é uma observação de fato, não um juízo – e nada a substituiu. Porque, embora os novos revolucionários busquem possíveis modelos e objetos de lealdade, nenhum dos regimes revolucionários pequenos e localizados – Cuba, Vietnã do Norte, Coréia do Norte ou qualquer outro, mesmo a própria China – representa hoje o que a União Soviética significou em minha época.”
Uma observação: Coréia do Norte a parte, onde Hobsbawn encontraria hoje “regimes revolucionários pequenos e localizados”? A ilha do Caribe, por exemplo, aguarda o óbito do seu carismático líder para acelerar o processo de “abertura”. Dois sintomas da “febre capitalista” da China: 1. Em 2010, o faturamento dos Cassinos de Macau foi quatro vezes os de Las Vegas; 2. Também no ano passado, a China foi maior importador de vinhos de Bordeaux – 20 milhões de litros.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

João Amazonas: a queda do muro e "a crise do marxismo".


João Amazonas é figura histórica. Expulso do PCB, em 1961, por discordar das novas teses do XX Congresso do PCUS, funda o PC do B. É inspirador da miopia ideológica que orienta o Partido até nossos dias. Já no período “pós-muro”, confunde o fim da URSS com a crise no marxismo – e assegura que ela será superada – em artigo publicado em 1990, na Revista Princípios nº 18 ( pequeno trecho, a seguir). Amazonas morreu em 2002, sem se aperceber que o fim da União Soviética significaria o renascimento de Marx.

“A crise do marxismo será superada tão prontamente quanto maior for o empenho dos autênticos revolucionários em investigar suas causas e ir ao fundo das questões teóricas que norteiam a marcha da classe operária no rumo do comunismo.
A teoria revolucionária ilumina o caminho da libertação, da construção de uma vida nova. Não se pode avançar com segurança sem o domínio da ciência social. Os princípios que dela decorrem são fundamentais para orientar a estratégia e a tática das forças progressistas em luta contra o sistema reacionário e ultrapassado do capitalismo monopolista.
Defendendo os fundamentos teóricos do marxismo, avancemos, respondendo aos desafios de nossa época. O socialismo, o comunismo são invencíveis, representam o futuro radioso da Humanidade.”

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Babeuf e o "Manifesto dos Iguais"


Marx considerava Babeuf o “primeiro comunista ativista” e a Conjuração do Iguais o "primeiro partido comunista". Para Rosa de Luxemburgo, Babeuf é "o primeiro precursor dos levantes revolucionários do proletariado".
François Noël Babeuf, conhecido como Gracchus Babeuf nasceu em Saint-Quentin, Picardia em 23 de novembro de 1760 foi sucessivamente servo doméstico, artesão, pedreiro e depois encarregado dos registros (contabilidade) de uma propriedade senhorial.
Seu “Manifesto dos Iguais” de 1796 tem o mesmo “clima” que envolve o Manifesto Comunista, de 1848. Veja esses dois trechos:


“Povo da França!

Chegou a hora das grandes decisões. O mal encontra-se no seu ponto culminante, está a cobrir toda a face da terra. O caos, sob o nome de política, há já demasiados séculos que reina sobre ela. Que tudo volte, pois, a entrar na ordem exata e que cada coisa torne a ocupar o seu posto. Ao grito de igualdade, os elementos da justiça e da felicidade estão a organizar-se. Chegou o momento de fundar a República dos Iguais, este grande refúgio aberto a todos os homens. Chegaram os dias da restituição geral. Famílias sacrificadas, vinde todas sentar-vos à mesa comum posta para todos os vossos filhos.”
“Povo da França!
Os hábitos inveterados, os antigos preconceitos, farão novamente tudo para impedir a implantação da República dos Iguais. A organização da igualdade efetiva, a única que satisfaz todas as necessidades sem provocar vítimas, sem custar sacrifícios, talvez em princípio não agrade a todos. Os egoístas, os ambiciosos, rugirão de raiva. Os que conquistaram injustamente as suas possessões dirão que está a cometer-se uma injustiça em relação a eles. Os prazeres individuais, os prazeres solitários, as comodidades pessoais, serão motivo de grande pesar para os indivíduos que sempre se caracterizaram pela sua indiferença ante os sofrimentos do próximo. Os amantes do poder absoluto, os miseráveis partidários da autoridade arbitrária, baixarão pesarosos as suas soberbas cabeças perante o nível da igualdade real. A sua visão estreita dificilmente penetrará no próximo futuro da felicidade comum. Mas que podem fazer alguns milhares de descontentes contra uma massa de homens completamente satisfeitos de terem procurado durante tanto tempo uma felicidade que sempre tiveram à mão?”

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A"profecia" de Alan Woods


Alan Woods, o novo conselheiro de Hugo Chávez, publicou, recentemente, artigo “Porque somos marxistas” onde afirma que um número crescente de pessoas estão abertas às idéias do marxismo, que deixarão os pequenos grupos e “serão zelosamente seguidas por milhões”.
“Estamos ingressando num período dos mais convulsivos que permanecerá por alguns anos, semelhante ao período de 1930-1937 na Espanha. Haverá derrotas e recuos, mas sob essas condições as massas aprenderão muito rápido. Naturalmente, não devemos exagerar: nós estamos ainda no começo de um processo de radicalização. Mas está muito claro aqui que nós estamos testemunhando o início de uma mudança na consciência das massas. Crescente número de pessoas está questionando o capitalismo. Essas pessoas estão abertas às idéias do marxismo de forma nunca vista antes. No próximo período, as idéias que estavam confinadas em pequenos grupos de revolucionários serão zelosamente seguidas por milhões.”

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Woods X Trotsky. O Manifesto.


O trotsquista Alan Woods é o mais novo conselheiro de Hugo Chávez – Heinz Dieterich caiu em desgraça, depois de apoiar o ex-aliado Baduel. A leitura do texto em que Woods analisa o Manifesto mostra uma profunda contradição com seu líder. Certamente, Alan nunca leu o prefácio de  Trotsky (1937) à edição sul-africana da até hoje polêmica obra de Marx/Engels. Woods afirma que o Documento explica como a livre empresa conduziria ao monopólio. Trotsky demonstra que no Manifesto “o capitalismo é o reino da livre concorrência”. Apenas anos depois, em O Capital, é que “Marx constatou a tendência para a transformação da livre concorrência em monopólio”. Seguem os dois texto referidos.
O texto de Alan Woods
“O que é mais surpreendente sobre o Manifesto é como antecipa os mais fundamentais fenômenos que ocupam nossa atenção em escala mundial no presente momento. Consideremos um exemplo. No tempo em que Marx e Engels o escreveram, o mundo das grandes companhias multinacionais era ainda música de um futuro muito distante. A despeito disto, eles explicaram como a “livre empresa” e a concorrência inevitavelmente conduziriam à concentração de capital e à monopolização das forças produtivas.”
O texto de Trotsky
“3. Para o Manifesto, o capitalismo é o reino da livre concorrência. Referindo-se à crescente concentração do capital, o texto não tira deste fato a necessária conclusão a respeito dos monopólios, que se transformaram na força dominante do capitalismo em nossa época, premissa mais importante da economia socialista. Foi apenas mais tarde, em O Capital que Marx constatou a tendência para a transformação da livre concorrência em monopólio. A caracterização científica do capitalismo monopolista foi dada por Lênin em seu livro Imperialismo, Estágio Superior do Capitalismo.”



quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Trotsky. A visão crítica do Manifesto. Parte 5


Em outubro de 1937, Trotsky escreve o prefácio da edição Sul-Africana do Manifesto de 1848 e faz uma serena e sensata revisão critica de partes do Manifesto. Neste 5º trecho selecionado, ele reforça o equívoco, já registrado pelos autores em 1872 e afirma que “Em nossos dias não pode haver programa revolucionário sem sovietes e sem poder operário”. A pergunta que não quer calar: onde estão, em 2011, os sovietes? Nem em Cuba, quem sabe, na Venezuela.......


“5. O Manifesto, escrito para uma época revolucionária, contém, no final do segundo capítulo, dez reivindicações que respondem ao período da imediata transição do capitalismo ao socialismo. No prefácio de 1872, Marx e Engels mostraram que essas reivindicações se encontravam parcialmente superadas e que, de qualquer modo, não tinham mais que um significado secundário. Os reformistas se apoderaram desta avaliação para interpretá-la no sentido que, para eles, as palavras-de-ordem revolucionárias transitórias davam definitivamente lugar ao "programa mínimo" da social-democracia que, como sabemos não ultrapassava os limites da democracia burguesa.
Na verdade, os autores do Manifesto indicaram de modo preciso a principal correção a ser feita em seu programa transitório: "Não basta que a classe operária se utilize da máquina estatal para colocá-la a serviço de seus próprios fins. "A correção era contra o fetichismo a respeito da democracia burguesa. Ao Estado burguês, Marx opôs, mais tarde, o Estado do tipo da Comuna. Este "tipo" tomou, em seguida, a forma muito mais precisa de sovietes. Em nossos dias não pode haver programa revolucionário sem sovietes e sem poder operário. Quanto ao mais isto é, às dez reivindicações do Manifesto que na época da pacífica atividade parlamentar, pareceram "caducar", é preciso que se diga que recobraram, hoje, todo seu verdadeiro significado. O que caducou inapelavelmente foi o "programa mínimo" social-democrata.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Trotsky. A visão crítica do Manifesto. Parte 4


Em outubro de 1937, Trotsky escreve o prefácio da edição Sul-Africana do Manifesto de 1848 e faz uma serena e sensata revisão critica de partes do Manifesto. Neste 3º trecho selecionado, ele mostra que a expectativa de proletarização generalizada da sociedade não aconteceu. Destaque para a proletarização da classe média – imagine a frustração dos dois alemães ao assistir, no Brasil de 2010, a ascensão das classes D e E à classe média.

“4. Tomando como base sobretudo o exemplo da "Revolução Industrial" inglesa, os autores viam de maneira muito unilateral o processo de liquidação das classes médias com a proletarização completa do artesanato, do pequeno comércio e do campesinato. Na verdade, as forças elementares da concorrência ainda não finalizaram esta obra, ao mesmo tempo progressista e bárbara. O capital arruinou a pequena burguesia bem mais rapidamente do que a proletarizou. Por outro lado, a política consciente do Estado burguês, há muito tempo, visa conservar artificialmente as camadas pequeno-burguesas. No pólo oposto, o crescimento da técnica e a racionalização da grande produção, ao mesmo tempo em que engendram um desemprego orgânico, freiam a proletarização da pequena burguesia. Houve um extraordinário adormecimento do exército de técnicos, administradores, empregados de comércio, em uma palavra, daquilo que é chamado de "novas classes médias". O resultado de tudo isso é que as classes médias cujo desaparecimento o Manifesto previa de modo tão categórico, constituem, mesmo em um país altamente industrializado como a Alemanha, quase a metade da população. Mas a conservação artificial das camadas pequeno-burguesas, desde há muito caducas, em nada atenua as contradições sociais; torna-as, pelo contrário, particularmente, mórbidas. Somando-se ao exército permanente de desempregados, ela é a expressão mais nociva do apodrecimento capitalista. “


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Trotsky. A visão crítica do Manifesto. Parte 3


Em outubro de 1937, Trotsky escreve o prefácio da edição Sul-Africana do Manifesto de 1848 e faz uma serena e sensata revisão critica de partes do Manifesto. Neste 3º trecho selecionado, ele mostra que apenas anos depois, em O Capital é “que Marx constatou a tendência para a transformação da livre concorrência em monopólio”. No Manifesto, “o capitalismo é o reino da livre concorrência”.

“3. Para o Manifesto, o capitalismo é o reino da livre concorrência. Referindo-se à crescente concentração do capital, o texto não tira deste fato a necessária conclusão a respeito dos monopólios, que se transformaram na força dominante do capitalismo em nossa época, premissa mais importante da economia socialista. Foi apenas mais tarde, em O Capital que Marx constatou a tendência para a transformação da livre concorrência em monopólio. A caracterização científica do capitalismo monopolista foi dada por Lênin em seu livro Imperialismo, Estágio Superior do Capitalismo.”

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Marx, De Masi e Chris Anderson.


Domenico De Masi, o sociólogo italiano, inventor do “Ócio Criativo”, sempre se declarou marxista e, embora nunca tenha se filiado ao PCI, sempre votou com os comunistas.  De Masi, afirma que o trabalho é uma profissão e o ócio uma arte e sentencia que Marx previu o fim do trabalho: "Em 1857, isto é, há quase um século e meio, Marx tinha escrito : 'É chegado o tempo em que os homens não mais farão o que as máquinas podem fazer' e tinha concluído que o capitalismo, tendendo de forma inexorável para a abolição do trabalho, teria dessa forma provocado sua própria morte."
Mais recentemente, Chris Anderson, autor do best-seller mundial “A Cauda Longa” (“The Long Tail”) - Editora Campus-Elsevier – relembra o pioneirismo de Marx em “A Ideologia Alemã”. Uma observação – a expressão “Pro-Am” significa Profissionais e Amadores.
“ Com efeito, Karl Marx foi, talvez, o primeiro profeta da economia Pro-Am. Como observa o Demos, Marx sustentou em  “A Ideologia Alemã”, escrito entre 1845 e 1847, que o trabalho forçado, não-espontâneo e assalariado seria superado pela atividade autônoma.  Finalmente, esperava ele, chegaria um tempo em que a “produção material criará condições para que todas as pessoas disponham de tempo ocioso para o exercício de outras atividades”. Marx evocava uma sociedade comunista em que “..... ninguém tem uma esfera de atividade exclusiva, mas cada uma delas pode ser executada da maneira que mais aprouver a cada um (......) caçar de manhã, pescar de tarde, criar gado à noite, criticar depois do jantar, do mesmo modo como tenho uma mente, sem nunca ter sido caçador, pescador ou critico”.

Trotsky. A visão crítica do Manifesto. Parte 2


Em outubro de 1937, Trotsky escreve o prefácio da edição Sul-Africana do Manifesto de 1848 e faz uma serena e sensata revisão critica de partes do Manifesto. Neste 2º trecho selecionado, ele destaca alguns equívocos relevantes como a “superestimação da maturidade revolucionária do proletariado” e da consequência  da revolução de 1848 que, ao invés da revolução socialista “criou, para a Alemanha, a possibilidade  de um formidável desenvolvimento capitalista”.

“2. O erro de Marx e Engels a respeito dos prazos históricos decorria, de um lado, da subestimação das possibilidades posteriores inerentes ao capitalismo e, de outro, da superestimação da maturidade revolucionária do proletariado. A revolução de 1848 não se transformou em revolução socialista, como o Manifesto havia previsto, mas criou, para a Alemanha, a possibilidade de um formidável desenvolvimento capitalista. A Comuna de Paris demonstrou que o proletariado não pode arrancar o poder à burguesia sem ter à sua frente um partido revolucionário experiente. Ora, o longo período de desenvolvimento capitalista que se seguiu à Comuna conduziu não à educação de uma vanguarda revolucionária, mas, ao contrário, à degeneração burguesa da burocracia operária que se tornou, por sua vez; o principal obstáculo à vitória da revolução proletária. Esta "dialética” os autores do Manifesto não podiam prever.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Trotsky. A visão crítica do Manifesto. Parte 1


Em outubro de 1937, Trotsky escreve o prefácio da edição Sul-Africana do Manifesto de 1848 e faz uma serena e sensata revisão critica de partes do Manifesto. Neste 1º trecho selecionado, ele enfatiza que, em pleno século XIX, o capitalismo ainda não havia cumprido o seu ciclo e, conforme o ensinamento do próprio Marx , não poderia “deixar a cena”.

“O pensamento revolucionário nada tem em comum com a idolatria. Os programas e os prognósticos verificam-se e corrigem-se à luz da experiência, que é para o pensamento humano a suprema instância O Manifesto requer correções e complementos. Entretanto, mesmo correções e complementos não podem ser aplicados com sucesso senão nos servimos do mesmo método que se encontra à base do Manifesto, como, além disso, o prova a própria experiência histórica. Mostraremos isso servindo-nos dos exemplos mais importantes.
1. Marx ensina que nenhuma ordem social deixa a cena antes de ter esgotado suas possibilidades criadoras. O Manifesto ataca o capitalismo porque ele bloqueia o desenvolvimento das forças produtivas. Contudo, na sua época e mesmo durante várias décadas seguintes, este entrave possuía apenas um caráter relativo. Se, na segunda metade do Século XIX tivesse sido possível à economia se organizar sobre fundamentos socialistas, o ritmo de seu crescimento teria sido incomparavelmente mais rápido. Esta tese, teoricamente incontestável, não modifica o fato de que as forças produtivas continuaram a crescer em escala mundial, e sem interrupção, até a Primeira Guerra Mundial. Foi unicamente nos últimos vinte anos que, malgrado as mais modernas conquistas científicas e técnicas, se abriu a época da estagnação completa e da própria decadência da economia mundial. A humanidade começa a viver do capital acumulado e a próxima guerra ameaça destruir por longo tempo as próprias bases da civilização. Os autores do Manifesto pensavam que o capital seria liquidado muito antes de passar de ser um regime relativamente reacionário para a sua fase absolutamente reacionária. Esta transformação, porém, só se consumou aos olhos da atual geração, fazendo de nossa época a época de guerras, revoluções e do fascismo.

Trotsky e os noventa anos do Manifesto. Parte 2


Em outubro de 1937, Trotsky escreve o prefácio da edição Sul-Africana do Manifesto de 1848 e registra os temas ainda atuais do Manifesto. Selecionei mais  um item (11) das teses do Manifesto que ele julgava que “conservam integralmente sua força”. O item ilustra bem as sensíveis diferenças entre o sonho e a realidade e o delírio da implantação do socialismo a partir de uma ditadura; seja ela do proletariado, dos milicos, dos aiatolás ou de qualquer outro gênero.

11. "A partir do momento em que, no curso do desenvolvimento, as diferenças de classe tenham desaparecido e que toda a produção esteja concentrada nas mãos de indivíduos associados, o poder público perde seu caráter político. " Em outras palavras, o Estado extingue-se. Resta a sociedade liberta de sua camisa-de-força. E é exatamente isso o socialismo. O teorema inverso: o monstruoso crescimento da imposição e violência estatais na URSS demonstra que a sociedade soviética se afasta do socialismo.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Trotsky e os noventa anos do Manifesto


Em outubro de 1937, Trotsky escreve o prefácio da edição Sul-Africana do Manifesto de 1848 e registra os temas ainda atuais do Manifesto. Selecionei um trecho da abertura e o item 4 das teses do Manifesto que Trotsky julgava que “conservam integralmente sua força”. Alguém, além dos remanescentes da Polop, endossa o item 4?
“No prefácio à edição de 1872, Marx e Engels afirmaram que, mesmo tendo certos trechos secundários do Manifesto envelhecido, não tinham o direito de modificar o texto original, visto que, no decorrer dos vinte e cinco anos então passados ele já se transformara em um documento histórico. De lá para cá mais sessenta e cinco anos transcorreram. Algumas partes isoladas envelheceram ainda mais. Consequentemente, neste prefácio apresentaremos, de forma resumida, as idéias do Manifesto que, até nossos dias conservam integralmente sua força e aquelas que necessitam de sérias modificações ou complementos.”
“4. A tendência do capitalismo em rebaixar o nível de vida dos operários, a torná-los cada vem mais pobres. Esta tese foi violentamente atacada. Os padres, os professores, os ministros, os jornalistas, os teóricos socialdemocratas e os dirigentes sindicais levantaram-se contra a assim chamada teoria do "empobrecimento". Invariavelmente enumeravam sinais do bem-estar crescente dos trabalhadores, tomando a aristocracia operária por todo o proletariado, ou tomando uma tendência temporária por uma situação perdurável. Paralelamente, a própria evolução do mais poderoso capitalismo, o dos Estados Unidos transformou milhões de operários em párias, sustentados às custas da caridade estatal ou privada.”

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

André Breton e o jovem Marx


André Breton (1896/1966), fundador do surrealismo, foi filiado ao PCF durante oito anos. Decepcionado com Stalin, deixou o Partido e aliou-se a Trotsky, já asilado no México. No manifesto “Por Uma Arte Revolucionária Independente”, redigido a quatro mãos com Diego Rivera, cita o jovem Marx e aprofunda a sua delirante tese de que ninguém deve “viver e escrever para ganhar dinheiro”.

“A idéia que o jovem Marx tinha do papel do escritor exige, em nossos dias, uma retomada vigorosa. É claro que essa idéia deve abranger também, no plano artístico e científico, as diversas categorias de produtores e pesquisadores. "O escritor, diz ele, deve naturalmente ganhar dinheiro para poder viver e escrever, mas não deve em nenhum caso viver e escrever para ganhar dinheiro . . . O escritor não considera de forma alguma seus trabalhos como um meio. Eles são objetivos em si, são tão pouco um meio para si mesmo e para os outros que sacrifica, se necessário, sua própria existência à existência de seus trabalhos . . . A primeira condição da liberdade de imprensa consiste em não ser um ofício.”
Íntegra do texto original em /www.andrebreton.fr

domingo, 30 de janeiro de 2011

Hobsbawn por inteiro


Por ocasião do lançamento de seu novo livro – How to change the world –Hobsbawn concedeu entrevista  ao The Guardian (publicada na FSP em 25/01/11). Publiquei 2 trechos da entrevista. Agora segue a íntegra, com destaque para a sua referência à America Latina, que não sei se elogiosa ou crítica: “Ideologicamente, hoje me sinto mais em casa na América Latina. É o único lugar no mundo em que as pessoas fazem política e falam dela na velha linguagem - a dos séculos 19 e 20, de socialismo, comunismo e marxismo.”
"Guardian" - Há no âmago desse livro um senso de algo que provou seu valor? De que, mesmo que as propostas de Marx possam não mais ser relevantes, ele fez as perguntas certas sobre o capitalismo?
Eric Hobsbawm -
Com certeza. A redescoberta de Marx está acontecendo porque ele previu muito mais sobre o mundo moderno do que qualquer outra pessoa em 1848. É isso, acredito, o que atrai a atenção de vários observadores novos -atenção essa que, paradoxalmente, surge antes entre empresários e comentaristas de negócios, não entre a esquerda.


O sr. tem a impressão de que o que pessoas como George Soros apreciam em parte em Marx é o modo brilhante com que ele descreve a energia e o potencial do capitalismo?

Acho que é o fato de ele ter previsto a globalização que os impressionou. Mas acredito que os mais inteligentes também enxergaram uma teoria que previa o risco de crises. A teoria oficial do período, fim dos anos 90, descartava essa possibilidade.

E o sr. acha que o interesse renovado por Marx também foi beneficiado pelo fim dos Estados marxistas-leninistas?

Com a queda da União Soviética, os capitalistas deixaram de sentir medo, e desse modo tanto eles quanto nós pudemos analisar o problema de maneira muito mais equilibrada. Mas foi mais a instabilidade da economia globalizada neoliberal que, creio, começou a ficar tão evidente no fim do século.

O sr. não está surpreso com o fato de a esquerda marxista e a social-democrata não terem explorado politicamente a crise dos últimos anos?
Sim, é claro. Na realidade, uma das coisas que procuro mostrar no livro é que a crise do marxismo não é só do seu braço revolucionário, mas também do seu ramal social-democrata. O reformismo social-democrático era, essencialmente, a classe trabalhadora pressionando seus Estados-nações. Com a globalização, a capacidade dos Estados de reagir a essa pressão se reduziu concretamente. Assim, a esquerda recuou.

O sr. acha que o problema da esquerda está em parte no fim da classe trabalhadora consciente e identificável?

Historicamente falando, isso é verdade. O que ainda é possível é que a classe trabalhadora forme o esqueleto de movimentos mais amplos de transformação social.
Um bom exemplo é o Brasil, que tem um caso clássico de partido trabalhista nos moldes do fim do século 19 -baseado numa aliança de sindicatos, trabalhadores, pobres em geral, intelectuais e tipos diversos de esquerda- que gerou uma coalizão governista notável. E não se pode dizer que não seja bem-sucedida, após oito anos de governo e um presidente em final de mandato [a entrevista foi feita no final de 2010] com 80% de aprovação.
Ideologicamente, hoje me sinto mais em casa na América Latina. É o único lugar no mundo em que as pessoas fazem política e falam dela na velha linguagem -a dos séculos 19 e 20, de socialismo, comunismo e marxismo.
O título de seu novo livro é "How to Change the World". No final, o sr. escreve: "A substituição do capitalismo ainda me parece possível". A esperança continua forte?
Não existe esperança reduzida hoje. O que digo agora é que os problemas do século 21 exigem soluções com as quais nem o mercado puro nem a democracia liberal pura conseguem lidar adequadamente. É preciso calcular uma combinação diferente.
Que nome será dado a isso não sei. Mas é bem capaz de não ser mais capitalismo, não no sentido em que o conhecemos aqui e nos EUA.


sábado, 29 de janeiro de 2011

O fim do medo e o renascimento de Marx


Mais um trecho da entrevista de Hobsbawn ao The Guardian e publicada na Folha em 25 de janeiro p.p.
“Com a queda da União Soviética, os capitalistas deixaram de sentir medo, e desse modo tanto eles quanto nós pudemos analisar o problema de maneira muito mais equilibrada. Mas foi mais a instabilidade da economia globalizada neoliberal que, creio, começou a ficar tão evidente no fim do século.”


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A redescoberta de Marx

Da entrevista de Hobsbawn ao The Guardian e publicada na Folha em 25/01/11:

"A redescoberta de Marx está acontecendo porque ele previu muito mais sobre o mundo moderno do que qualquer outra pessoa em 1848. É isso, acredito, o que atrai a atenção de vários observadores novos -atenção essa que, paradoxalmente, surge antes entre empresários e comentaristas de negócios, não entre a esquerda."


domingo, 23 de janeiro de 2011

Não existem atalhos para o marxismo


Em 1966, Hobsbawn produziu mais um texto brilhante  - “ O diálogo sobre o Marxismo” – onde defende a tese de que o marxismo “correto” não pode ser “institucionalmente definido”. Selecionei um trecho provocativo, onde ele afirma que “não há atalhos para o marxismo”.

“ Os marxistas não-comunistas, por sua vez, devem aprender que os erros, as esquematizações e as distorções do período  stalinista, e inclusive de todo o período da Internacional Comunista, não significam que não foram feitas quaisquer contribuições valiosas e importantes ao marxismo neste período e no movimento comunista internacional. Não há atalhos para o marxismo: nem o apelo a Lênin contra Stalin, nem a Marx, nem ao jovem Marx contra o Marx da maturidade. Há somente trabalho árduo, longo e, nas atuais circunstâncias, talvez não conducente a conclusões definitivas.”

sábado, 22 de janeiro de 2011

Disciplina bolchevista em Auschwitz


A “devoção total” exigida dos militantes bolchevistas era algo muito próximo do sentimento que hoje mobiliza os “homens-bomba” do Islã e, na 2ª Guerra, produziu  os pilotos suicidas japoneses. Eric Hobsbawn, em “Problemas da História do Comunismo” registra o “extraordinário êxito do comunismo como um sistema de educação para o trabalho político” ( atenção o texto é de 1969, 20 anos antes da queda do Muro). Segue abaixo um trecho. Para a leitura da íntegra: “Os Revolucionários – Ensaios Contemporâneos”, Paz e Terra, 2003.

“O problema daqueles que escrevem a história dos partidos comunistas e, portanto, extraordinariamente difícil. Eles devem recuperar a excepcional têmpera do bolchevismo – sem precedentes nos movimentos não-religiosos e tão distante do liberalismo da maioria dos historiadores como do ativismo permissivo e auto-indulgente dos extremistas contemporâneos. Não se pode compreender, sem a percepção deste sentimento de devoção total, que o partido em Auschwitz fixesse seus membros pagarem suas contribuições em cigarros ( sumamente preciosos e quase impossível de serem obtidos num campo de extermínio), ou que os quadros do partido aceitassem a ordem não apenas de matar alemães na Paris ocupada, mas também de adquirir prévia e individualmente, as armas para fazê-lo, ou que ele tornasse virtualmente inconcebível para seus membros a ideia de se recusarem a regressar a Moscou, mesmo com a certeza de serem presos ou mortos. Sem isto não se pode, tampouco compreender as realizações ou as perversões do bolchevismo – e ambas foram monumentais – e,certamente, também não se pode compreender o extraordinário êxito do comunismo como um sistema de educação para o trabalho político.”

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Hegel e a Morte


Ainda no prefácio de Fenomenologia do Espírito, Hegel  afirma que “é a vida que suporta a morte e nela se conserva”. Selecionei um trecho, mas quem desejar ler a íntegra, em português, acesse o link abaixo e prepare-se; não é leitura fácil.
 www.marxists.org/portugues/hegel/1807/mes/fenomenologia.htm

“A morte - se assim quisermos chamar essa inefetividade - é a coisa mais terrível; e sustentar o que está morto requer a força máxima. A beleza sem força detesta o entendimento porque lhe cobra o que não tem condições de cumprir. Porém não é
a vida que se atemoriza ante a morte e se conserva intacta da devastação, mas é a vida que suporta a morte e nela se conserva, que é a vida do espírito. O espírito só alcança sua verdade à medida que se encontra a si mesmo no dilaceramento absoluto. Ele não é essa potência como o positivo que se afasta do negativo - como ao dizer de alguma coisa que é nula ou falsa, liquidamos com ela e passamos a outro assunto. Ao contrário, o espírito só é essa potência enquanto encara diretamente o negativo e se demora junto dele. Esse demorar-se é o poder mágico que converte o negativo em ser. Trata-se do mesmo poder que acima se denominou sujeito, e que ao dar, em seu elemento, ser-aí à determinidade, suprassume a imediatez abstrata, quer dizer, a imediatez que é apenas essente em geral. Portanto, o sujeito é a substância verdadeira, o ser ou a imediatez - que não tem fora de si a mediação, mas é a mediação mesma.”

domingo, 16 de janeiro de 2011

Hegel e o Todo


Confesso que nunca havia lido Hegel. Para refazer parte do caminho do jovem Karl, decidi começar pela Fenomenologia do Espírito, de 1807. Selecionei um trecho interessante do prefácio:

“O verdadeiro é o todo. Mas o todo é somente a essência que se implementa através de seu desenvolvimento. Sobre o absoluto, deve-se dizer que é essencialmente resultado; que só no fim é o que é na verdade. Sua natureza consiste justo nisso: em ser algo efetivo, em ser sujeito ou vir-a-ser-de-si-mesmo. Embora pareça contraditório conceber o absoluto essencialmente como resultado, um pouco de reflexão basta para dissipar esse semblante de contradição. O começo, o princípio ou o absoluto - como de início se enuncia imediatamente - são apenas o universal. Se digo: "todos os animais", essas palavras não podem valer por uma zoologia. Do mesmo modo, as palavras "divino", "absoluto", "eterno" etc. não exprimem o que nelas se contém; - de fato, tais palavras só exprimem a intuição como algo imediato. A passagem - que é mais que uma palavra dessas - contém um tornar-se Outro que deve ser retomado, e é uma mediação; mesmo que seja apenas passagem a outra proposição. Mas o que horroriza é essa mediação: como se fazer uso dela fosse abandonar o conhecimento absoluto - a não ser para dizer que a mediação não é nada de absoluto e que não tem lugar no absoluto.”

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O Marx de Althusser


Obra inacabada, o marxismo permite leituras e releituras ao sabor das tendências ideológicas de cada intérprete. Nem o final melancólico de 1989/91 impediu delírios do tipo Cuba, Coréia do Norte e, aqui na Terra, o PC do B. Como afirmam os autores de “História das Ideias Políticas” , as tentativas de interpretação “ só podem ser julgadas em função do projeto próprio que as anima, em sua época e em suas circunstâncias políticas”
(marxrevisitado.blogspot.com/2010/12/marxismos.html).
Assim, os “marxismos” são muitos. Selecionei um trecho de texto de Hobsbawm, de 1966 – publicado em “Revolucionários”, Paz e Terra,2003 – onde ele faz uma crítica sutil ( sutil?) ao marxismo de Louis Althusser. Althusser, segundo Hobsbawn, “abandonou as sombras da grande École Normal Supérieure da Rue d’Ulm para a ribalta da celebridade no 5º e 6º arrondissements”.
Vamos ao trecho selecionado:

“ ....o reflorescimento do marxismo requer uma disposição genuína para ver o que Marx procurava fazer, ainda que isto não implique em concordância com todas as suas afirmações. O marxismo, que é ao mesmo tempo um método, um corpo de pensamento teórico e um conjunto de textos considerados por seus seguidores como fonte de autoridade, sempre sofreu com a tendência dos marxistas de começar por decidir o que pensam que Marx deveria ter dito e depois procurar a confirmação, nos textos, dos pontos de vista escolhidos. Tal ecletismo tem sido normalmente compensado por estudo sério da evolução do próprio pensamento de Marx. A descoberta de Althusser de que o mérito de Marx se encontra não tanto em seus próprios escritos, mas em permitir que o próprio Althusser diga o que ele deveria ter dito, suprime esta compensação. É de se temer que ele não seja o único teórico a substituir o verdadeiro Marx por um outro, de sua própria criação. Se o Marx althusseriano, ou outra construção análoga, pode se tornar tão interessante quanto o Marx original, é uma questão completamente distinta.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Stalin: leninismo é a ressurreição do marxismo. Parte 2


“Que é, afinal, o leninismo?
O leninismo é o marxismo da época do imperialismo da revolução proletária. Mas exatamente: o leninismo é a teoria e a tática da revolução proletária em geral, a tática da ditadura do proletariado em particular. Marx e Engels militaram no período pré-revolucionário (referimo-nos à revolução proletária), quando o imperialismo ainda não estava desenvolvido, no período de preparação dos proletários para a revolução, no período em que a revolução proletária ainda não se tornara uma necessidade prática imediata. Porém, Lênin, discípulo de Marx e Engels, no período de pleno desenvolvimento do imperialismo, no período do desencadeamento da revolução proletária, quando a revolução proletária já havia triunfado num país, havia destruído a democracia burguesa e iniciado a era da democracia proletária, a era dos Soviets.
Por isso, o leninismo é o desenvolvimento ulterior do marxismo.

Stalin: leninismo é a ressurreição do marxismo. Parte 1


De 26 de abril a 18 de maio de 1924, Stalin profere, na Universidade Sverdlov, uma série de conferências ”Sobre os Fundamentos do Leninismo”. A tese central é que o leninismo não se resume a uma aplicação do marxismo “às condições peculiares da situação russa”, mas que é “um fenômeno internacional, que tem as suas raízes em toda a evolução internacional, e não apenas um fenômeno russo”.
Comparto a opinião de diversos marxólogos independentes que o marxismo-leninismo sempre foi uma contradição e o grande responsável pelo “esquecimento” das teses do velho Karl, durante décadas. O fim da União Soviética e as recentes crises do capitalismo fizeram renascer o filósofo alemão e seu parceiro Engels.
É sempre oportuno recordar que a dupla Marx/Engels jamais imaginou que a primeira revolução do proletariado aconteceria na Rússia, até pela “escassez de proletários”, no feudal regime czarista. Vale relembrar uma “profecia não realizada de Engels, em abril de 1892 : ”no ponto em que estão as coisas, será despropositado pensar-se que a Alemanha venha a se tornar também o cenário do primeiro grande triunfo do proletariado europeu?”
A seguir uma primeira parte da palestra de Stalin, em 1924.
“Que é, pois, o leninismo?
Alguns dizem que leninismo é a aplicação do marxismo às condições peculiares da situação russa. Nesta definição há uma parte de verdade, mas está longe de conter toda a verdade. Lênin aplicou, efetivamente, o marxismo à situação russa e o aplicou de modo magistral. Mas se o leninismo não passasse da aplicação do marxismo à situação da Rússia, seria um fenômeno pura e exclusivamente nacional, pura e exclusivamente russo. No entanto sabemos que o leninismo é um fenômeno internacional, que tem as suas raízes em toda a evolução internacional, e não apenas um fenômeno russo. Por isso, creio que esta definição peca pelo seu caráter unilateral.
Outros dizem que o leninismo é a ressurreição dos elementos revolucionários do marxismo da década de 40 do século passado, para distingui-lo do marxismo dos anos posteriores, que, segundo afirmam, se tornou moderado e deixou de ser revolucionário. Se abandonarmos essa divisão néscia e vulgar da doutrina de Marx em duas partes, uma revolucionária e outra moderada, é necessário reconhecer, no entanto, que também esta definição, por completo insuficiente e insatisfatória, contém uma parte de verdade. Esta parte de verdade consiste no fato de que Lênin efetivamente ressuscitou o conteúdo revolucionário do marxismo, que fora soterrado pelos oportunistas da II Internacional. Mas esta não é senão uma parte da verdade. A verdade completa é que o leninismo não só ressuscitou o marxismo, mas deu ainda um passo à frente, levando o marxismo a desenvolvimento ulterior nas novas condições do capitalismo e da luta de classe do proletariado.”

sábado, 8 de janeiro de 2011

O marxismo-leninismo-stalinismo de Khrushchev


O culto à personalidade de Stalin, 1 ano após a sua morte estava no auge. Seu sucessor no cargo de 1º Secretário do Partido, Nikita Sergeivitch Khrushchev, no discurso de lançamento de sua candidatura ao Soviet Supremo, coloca o antecessor no mesmo nível de Marx e Engels. Uma fala bem diferente da de dois anos depois, em  23 de fevereiro de 1956, quando denunciou o ex-chefe por crime de genocídio, no XX Congresso do Partido. Veja a seguir o trecho do discurso de 1954.
“Criado por nosso genial chefe e mestre - o grande Lênin —, o Partido Comunista conduz firmemente o povo pelo caminho que leva ao comunismo. Por sua heróica luta pela causa do socialismo e por sua abnegada dedicação ao povo, o Partido Comunista conquistou o ilimitado amor e a confiança de todos os trabalhadores. O glorioso 50º aniversário do Partido Comunista da União Soviética foi brilhante demonstração da força todo-poderosa da doutrina de Marx, Engels, Lênin e Stálin.”

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Marx X Adam Smith X Keynes


A mais eficaz medida de interesse por um tema é o numero de “resultados” em uma busca no Google. Às 17 horas de 6 de janeiro de 2011, eram os seguintes os resultados para Marx – 24,4 milhões; Adam Smith – 11 milhões e Keynes – 13,5 milhões.  O velho Karl continua com a bola cheia!!!!!!!!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Stalin e o fundamentalismo de Diogenes Arruda


Diógenes Arruda foi um dos mais importantes quadros do Partidão. Sua liderança e capacidade de sonhar eram ilimitadas. Mas, como todo fundamentalista, Arruda perdeu o senso crítico e, entre outros equívocos, desenvolveu uma visão romântica de Stalin. Selecionei um trecho de longa entrevista, concedida em junho de 1979 a Iza Freaza e Albino Castro, poucos meses antes de sua morte. No final do texto o endereço para acessar a íntegra.
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“Albino – Agora vamos entrar no terreno em que você é mais conhecido, mais polêmico no Brasil. Nesse período que vai do pós-guerra até 53, você na prática era quem dirigia o Partido. Era o homem que tinha contato com Stalin, era o homem que ia a Moscou...
Iza – Tem até o bigode parecido...
Albino – Tem até o bigode parecido...
Arruda – (Risos)
Albino – A gente queria saber como era o seu relacionamento...
Iza – Como era o Stalin?
Arruda – Então, nós recebemos uma grande ajuda teórica, ideológica...
Iza – É verdade que você era o único que Stalin recebia?
Albino – Do Brasil...
Arruda – Não. Uma grande ajuda teórica do partido bolchevique e do camarada Stalin. Principalmente nesse processo de elaboração do programa, ele teve um papel de dizer como podia desempenhar uma revolução vitoriosa no Brasil. De fato, eu tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Stalin. Foi por ocasião do 19º Congresso do partido bolchevique. Stalin era um figura extremamente simpática. Modesto, simples, afável, não tem nada disso que se propalou no mundo. E ele tinha muito carinho com o nosso Partido. Eu não privei particularmente com o camarada Stalin. Lamentavelmente não privei (ininteligível). O camarada Stalin tinha bastante carinho pelo nosso Partido e nos ajudou do ponto de vista teórico. Usava aquela roupa de soldado (pronuncia pausadamente). (trecho ininteligível). Agora, isso de ele cortar algumas cabeças... (cansado, Arruda pede para interromper a entrevista).

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Fetichismo&Reificação. Collin&Ghiraldelli


Denis Collin considera que um dos capítulos filosoficamente mais importantes do Capital ( Livro 1 – Primeira Secção é o que se refere ao caráter fetichista das mercadorias. Vale a pena ler o artigo completo em
http://denis-collin.viabloga.com/news/le-caractere-fetiche-de-la-marchandise

Por sua vez, o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr faz uma criativa dissertação sobre a reificação e o fetichismo na filosofia de Marx e de como as pessoas se transformam de sujeitos em objetos, por força do mercado. E o que acontece na passagem da filosofia para a política, na criação da sociedade sem mercado. Vale a pena uma parada de 9 minutos para assistir o video no youtube.

http://www.youtube.com/watch?v=E7BaPV975VE