quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O poeta Engels.


Nem somente de Marx, vive a poesia marxista. Aqui dois poemas de Engels: “Paisagens”, publicado em julho de 1840 no Telegraph für Deustchland e “Aos Inimigos”, em fevereiro de 1839, “Der Bremer Stadtbote” – reproduzidos na Revista Continente. O jovem poeta estava na flor de seus 19/20 anos

PAISAGENS
E agora esqueça os males
que te foram feitos,
e vá com coração inteiro
pelo grande caminho livre.
Curva-se o céu,
confunde-se com o mar –
e tu queres, outra vez rasgado,
andar no meio dessa situação?
Curva-se o céu,
abraça o mundo,
feliz pelas belas partes
que toca,
como se o mundo quisesse beijá-lo.
E assim saltou a onda,
e tu, rasgado,
queres completar teu caminho?
Vê como o deus do amor
mergulha no mundo,
e vê que o deus do amor permanece para o mundo
e, fazendo-se homem, como dádiva, a ele se entrega!
Tu não levas por tudo
o deus em teu seio?
Assim, deixe-o livremente mover-se
e ser digno de si próprio.

AOS INIMIGOS

Não podeis nunca deixar que séria e confiável ambição,
bem intencionada palavra,
ao seu modo se eleve
e sem ruído tenha consequência?
Decerto, quem quer, pode torcer
toda palavra sem qualquer esforço.
Oh! Vós podeis ver o mal no bem,
mas nunca podeis tornar o bem em mal!
Pensais que tereis vantagem,
quando degradais a obra e palavra de outros?
Não! A honra fugirá de vós
Se não a sustentais com a própria força!
Se quereis subir, deveis então agir por vós mesmos,
produzir com vosso próprio espírito;
não vos dará vantagem
ir pelos caminhos que outros caminharam, depreciá-los!
para o qual maliciosamente pondes armadilhas?
Deixai-o então andar no seu caminho,
quando ele traz suas mensagens por toda a parte!
Pois, se ele traz a verdade, a verdade permanece verdade,
e, erguendo-se por cima da astúcia e da fraude,
um antigo provérbio no coração dele penetra:
“Honrada ambição é auto-suficiente!”


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