sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O esoterismo de Marx.

O Congresso Re-Thinking Marx, realizado em Berlim de 20 a 22 de maio de 2011, mereceu uma extensa análise de Elmar Fiatschart. Selecionei um pequeno trecho em que ele comenta  participação de Wendy Brown e suas referências ao Marx “esotérico” e à conceitualidade religiosa na descrição do fetichismo da mercadoria.


“Uma surpresa foi a apresentação de Wendy Brown. Ela convenceu com uma referência profunda ao Marx “esotérico” e procurou fazer paralelos entre a crítica da religião como projeção das relações sociais e a dimensão projetiva do fetichismo da mercadoria. Ao contrário de muitos outros oradores, ela estabeleceu marcadamente a diferença entre a crítica do fetiche e o meramente ideológico – enquanto as ideologias são ideias falsas, as relações fetichistas baseiam-se numa lógica própria, bem fundamentada nas condições naturais, que produz projeções semelhantes às religiosas e impõe a distinção entre as dimensões analítica e crítica, física e teológica. Brown antepõe assim desde o início a um entendimento positivista da “tangibilidade” da mercadoria a dimensão reificada das relações sociais que levam à mercadoria. Para ela, portanto, a conceitualidade religiosa na descrição do fetichismo de Marx não é uma mera metáfora, mas representa uma necessidade heurística para poder compreender as relações sociais.”

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