"A história do marxismo não pode ser considerada como algo acabado, já que o marxismo é uma estrutura de pensamento ainda vital e sua continuidade foi substancialmente ininterrupta desde o tempo de Marx e Engels". Hobsbawm , "História do Marxismo" . Inspiração deste blog....
sábado, 1 de julho de 2017
sábado, 24 de junho de 2017
Marx não morreu.
A edição
de sexta-feira ( 23/06/17) do jornal Valor Econômico publica extensa matéria de
Helena Celestino com o título acima. A “chamada”: “O Capital, monumental obra
sobre a gênese do capitalismo, completa 150 anos e volta a ser estudado em
tempos de crise econômica e política.”
Evidentemente,
uma obra complexa como a do filósofo de Trier não pode ser resumida em 4 nem em
4 mil páginas. Gostaria de fazer um pequeno e relevante acréscimo. Faltou o
registro de algo que hoje, mais que nos tempos de Marx, foi amplificado, muitas
vezes, na sociedade de consumo : o fetichismo da mercadoria. Vale lembrar que o
1º capítulo do livro 1 de O Capital é dedicado à mercadoria e a sua seção 4 define o “Fetichismo da Mercadoria e o seu
Segredo”.
Para estimular
sua leitura, segue o primeiro parágrafo:
“A
primeira vista, uma mercadoria parece uma coisa trivial e que se compreende por
si mesma. Pela nossa análise mostramos que, pelo contrário, é uma coisa muito
complexa, cheia de sutilezas metafísicas e de argúcias teológicas.”
terça-feira, 20 de junho de 2017
O Hegel de Engels
Um equívoco
comum em seguidores do marxismo tradicional é a convicção que o
Engels e o Marx maduros teriam abandonado o hegelianismo da juventude.
Segue trecho definitivo de Engels de agosto de 1859:
“O que
distinguia o modo de pensar de Hegel de todos os outros filósofos era o enorme
sentido histórico que lhe estava subjacente. Por abstrata e idealista que fosse
a forma, o desenvolvimento do seu pensamento não deixava de ir sempre em
paralelo com o desenvolvimento da história universal, e esta última,
propriamente, não deverá ser senão a prova do primeiro.
Ainda que, por
este fato, a relação correta tenha sido também invertida e posta de pernas para
o ar, o seu conteúdo real penetrou, contudo, por todo o lado, na filosofia;
tanto mais que Hegel se diferenciava dos seus discípulos em que não se gabava,
como eles, da sua ignorância, mas era uma das cabeças mais sábias de todos os
tempos.
Foi ele o
primeiro a procurar mostrar um desenvolvimento, um encadeamento interno, na
história e, por estranha que agora muita coisa na sua filosofia da história nos
possa parecer, a grandiosidade da própria visão fundamental é ainda hoje digna
de admiração, quando se lhe comparam os seus predecessores ou mesmo aqueles que
depois dele se permitiram reflexões universais sobre a história.”
sexta-feira, 16 de junho de 2017
Marx-tese versus Marx-antítese. Existe Marx-síntese?
Denis Collin, em seu “Compreender
Marx”, encerra o prefácio enfatizando as contradições de Marx. Sabemos todos
que Marx, sabiamente, não aceitava ser “enquadrado” como marxista. Afinal,
marxismo é uma palavra que não pode ser usada no singular.... Confesso que
ainda não estou seguro na resposta à questão do titulo, até porque, quanto
tempo leva a síntese para se transformar em tese? Quanto mais conheço o velho
Karl, mais sei que nada sei sobre o companheiro de Engels e que inspirou o
fracassado “socialismo real”. Fica a provocação de Collin.
“Marx é hegeliano e
anti-hegeliano, materialista e critico do materialismo, critico da economia
política e o último economista clássico, antiestatal e estatal, etc. É
interessante, isto não é decisivo, saber se ele é materialista ou não, meio
materialista ou seja lá o que for, mas mostrar como a própria contradição, que
Marx não destaca, é interessante, quer dizer, nos leva a um problema
interessante.”
quinta-feira, 15 de junho de 2017
O TRABALHO. DO TEAR A VAPOR `A ERA DA AUTOMAÇÃO.
Trabalho, mercadoria e capital. Três temas presentes
em toda a obra da maturidade de Marx. Sobre o tema trabalho, selecionei dois
trechos de sua obra maior – O Capital (1867) No segundo trecho sublinhei a
referência à ciência e tecnologia na determinação da “força produtiva do
trabalho”.
Na sequência, seguem trechos do artigo de Laura Tyson
( Valor Econômico – 12/06/2017) que descrevem como os avanços na inteligência
artificial e na robótica estão transformando o trabalho, eliminando cerca de
400 mil empregos anualmente nos EUA. Com certeza, mudanças radicais também
ocorreram na mercadoria e no capital nesses 150 anos. Um desafio a cada
postagem deste blog.
O Capital Livro 1 – Karl Marx (1867)
“Após a introdução do tear a vapor na Inglaterra, por
exemplo, passou a ser possível transformar uma dada quantidade de fio em tecido
empregando cerca de metade do trabalho de antes. Na verdade, o tecelão manual
inglês continuava a precisar do mesmo tempo de trabalho para essa produção, mas
agora o produto de sua hora de trabalho individual representava apenas metade
da hora de trabalho social e, por isso, seu valor caiu para a metade do
anterior. “
“Essa força produtiva do trabalho é determinada por
múltiplas circunstâncias, dentre outras pelo grau médio de destreza dos
trabalhadores, o grau de desenvolvimento da ciência e de sua aplicabilidade
tecnológica, a organização social do processo de produção, o volume e a
eficácia dos meios de produção e as condições naturais.”
O trabalho na era da automação - Laura
Tyson (2017)
“Os avanços
em inteligência artificial e robótica estão provocando uma nova onda de
automação, com máquinas que combinam ou superam os seres humanos numa
rapidamente crescente gama de tarefas, inclusive algumas que exigem capacidades
cognitivas complexas e educação de nível superior. Esse processo superou as
expectativas dos especialistas; não é de surpreender que seus possíveis efeitos
negativos sobre a quantidade e a qualidade do emprego levantaram sérias
preocupações.”
“Com base
nas simulações do estudo, os robôs custam provavelmente cerca de 400 mil postos
de trabalho por ano nos EUA. Muitos deles são empregos de renda média na
produção, especialmente em setores como o automobilístico, de plásticos e de
produtos farmacêuticos.”
“Ao longo
dos últimos 30 anos, as mudanças tecnológicas que privilegiam os mais
capacitados alimentaram a polarização tanto dos empregos como dos salários, e
assim os trabalhadores médios que enfrentam estagnação salarial real e os
trabalhadores sem curso superior sofrem um declínio significativo em seus
ganhos reais. Essa polarização alimenta a crescente desigualdade na
distribuição da renda da mão de obra, o que por sua vez impulsiona o
crescimento da desigualdade geral de renda - dinâmica enfatizada por muitos
economistas, de David Autor a Thomas Piketty.”
Laura Tyson, ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos do
presidente dos EUA, é professora da Haas School of Business da Universidade da
Califórnia
quarta-feira, 7 de junho de 2017
Marx by George Magnus e Walter Molano
Em agosto de 2011, George Magnus – consultor sênior
da União de Bancos Suíços (UBS) – publica artigo no site da Bloomberg com o
titulo “Give Marx a chance to save de world economy”. Segue um pequeno trecho.
“Como dizia Marx em O
Capital: a razão última de
todas as crises reais ainda é a pobreza e o consumo restrito das massas.
Como enfrentar esta crise? Para
colocar o espírito de Marx em ação, os dirigentes políticos devem ter como
prioridade a criação de postos de trabalho, e considerar outras medidas pouco
ortodoxas. A crise não é temporária, e certamente não vai se curar pela paixão
ideológica dos governos pela austeridade.”
Magnus é autor de uma frase
surrealista sobre Marx: “o velho era um analista bastante sagaz”.
Mas, George Magnus não está isolado em sua admiração pelo velho Karl entre os
mais destacados economistas consultores de grandes grupos econômicos. Walter
Molano, da BCB Securities, considera Marx um dos grandes economistas clássicos,
e teve enormes contribuições para o desenvolvimento das ciências
sociais”. Segundo Molano, “Marx estabeleceu uma teoria do trabalho que lhe
permitiu explicar a determinação dos salários, assim como a segmentação da
sociedade em três classes – o proletariado e à burguesia, nos extremos, e à
pequena burguesia, ou classe média, como grupo intermediário.”
domingo, 28 de maio de 2017
A burguesia em 1648 e 1789
Em dezembro de
1848, Marx publica no Nova Gazeta Renana, uma brilhante análise do
comportamento revolucionário da burguesia nas revoluções de 1648 e de 1789.
Segue um trecho.
“Em 1648, a burguesia estava ligada à
nobreza moderna contra a realeza, contra a nobreza feudal e contra a Igreja
dominante.
Em 1789, a burguesia estava ligada ao povo
contra realeza, nobreza e Igreja dominante.
A revolução de 1789 tinha por modelo (pelo
menos, na Europa) apenas a revolução de 1648, a revolução de 1648 apenas a
insurreição dos Países Baixos contra a Espanha. Ambas as revoluções estavam
avançadas um século, não apenas pelo tempo, mas também pelo conteúdo,
relativamente aos seus modelos.
Em ambas as revoluções, a burguesia era a
classe que realmente se encontrava à cabeça do movimento. O proletariado
e as frações da população urbana não pertencentes à burguesia não
tinham ainda quaisquer interesses separados da burguesia ou não constituíam
ainda quaisquer classes, ou sectores de classes, autonomamente desenvolvidas.
Portanto, ali onde se opuseram à burguesia, como, por exemplo, de 1793 até
1794, na França, apenas lutaram pela perseguição dos interesses da burguesia, ainda que não à
maneira da burguesia. Todo o terrorismo francês não foi mais do que
uma maneira plebeia de se desfazer dos inimigos da burguesia, do
absolutismo, do feudalismo e da tacanhez pequeno-burguesa.”
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