“O
socialismo é um instrumento, não um programa, e tudo que podemos dizer sobre a
forma final que o socialismo teria no futuro é que, tal como Karl Marx, não
sabemos. Qualquer tentativa de elaborar o mapa da utopia em meio às linhas
daquilo que consideramos desejável, no momento, deve fracassar (exceto, talvez,
para certos tipos de comunidades pequenas inteiramente autocontidas).”
sábado, 9 de junho de 2018
Hobsbawm e a forma final do socialismo
domingo, 3 de junho de 2018
Mesmo insuficiente, Marx continua sendo necessário.
A afirmativa é do sociólogo francês Alain Bihr em entrevista em
fevereiro de 2018, ao Alternative Libertaire. Segue o trecho:
“Dizer que Marx permanece atual é simplesmente afirmar que os
princípios de análise (método, conceitos, hipóteses orientadoras, etc.) dos
elementos estruturais do capitalismo que ele elaborou continuam sendo
necessários, mesmo que possam se revelar insuficientes para entender que o que é novo hoje no mundo
capitalista procede fundamentalmente dessa dialética de invariância dentro e
através da mudança. Mesmo insuficiente, Marx continua sendo necessário.”
quarta-feira, 30 de maio de 2018
A onipotência do dinheiro.
Nos “Manuscritos Econômicos-filosóficos” - agosto de 1844, somente
publicados em 1932 – Marx faz, no
Terceiro Manuscrito, uma observação instigante sobre o dinheiro. Vale lembrar
que 23 anos após, na publicação do
volume I do Capital, é possível constatar uma profunda evolução e o
dinheiro é o fetiche supremo. Segue um breve trecho do 3º Manuscrito:
“O dinheiro,
já que possui a propriedade de comprar tudo, de apropriar objetos para
si mesmo, é, por conseguinte o object par excellence . O caráter
universal dessa propriedade corresponde à onipotência do dinheiro, que é
encarado como um ser onipotente. . . o dinheiro é a proxeneta entre a
necessidade e o objeto, entre a vida humana e os meios de subsistência. Mas, o
que serve de medianeiro à minha vida também serve à existência de
outros homens para mim. Ele é para mim a outra pessoa.”
domingo, 27 de maio de 2018
O Comunismo antimarxiano.
O sociólogo José de Souza
Martins publicou no Valor Económico de 25/05/18 um interessante artigo – “Os
miseráveis” – que estimula uma reflexão sobre os desvios dos “tradicionais
marxistas” que ainda acreditam na “ditadura do proletariado “- um conceito
abandonado por Marx e Engels na idade madura.
A seguir alguns trechos do
artigo:
“O sociólogo alemão Max Weber mostrou que o
capitalista verdadeiro é o empresário que atende a vocação impessoal de fazer o
sistema funcionar. O próprio Karl Marx, autor da primeira teoria
cientificamente fundamentada do que é a sociedade capitalista, já havia
apontado que o capitalista é um funcionário do capital, e não um senhor feudal
da riqueza injustamente acumulada com base em privilégios de mando e dominação.
Lucro é outra coisa.”..........................................
“O pseudocapitalismo residual latino-americano
e o pseudosocialismo regional, resto de concepções dos fracassos do comunismo
antimarxiano, são face e contraface das mesmas insuficiências de compreensão do
processo histórico e das limitadas possibilidades da região.”
quinta-feira, 24 de maio de 2018
George Magnus ressuscita Marx
Em agosto de 2011, George
Magnus – consultor sênior da União de Bancos Suíços (UBS) – publica artigo no
site da Bloomberg com o titulo “Give Marx a chance to save de world economy”.
Segue um pequeno trecho.
“Como dizia Marx em O
Capital: a razão última de
todas as crises reais ainda é a pobreza e o consumo restrito das massas.
Como enfrentar esta crise? Para colocar o espírito de Marx
em ação, os dirigentes políticos devem ter como prioridade a criação de postos
de trabalho, e considerar outras medidas pouco ortodoxas. A crise não é
temporária, e certamente não vai se curar pela paixão ideológica dos governos
pela austeridade.”
Magnus é autor de uma frase surrealista sobre Marx: “o
velho era um analista bastante sagaz”.
quarta-feira, 23 de maio de 2018
A Burguesia e a Contra-Revolução.
Em dezembro de
1848, Marx publica no Nova Gazeta Renana, uma brilhante análise do
comportamento revolucionário da burguesia nas revoluções de 1648 e de 1789.
Segue um trecho.
“Não se pode confundir a revolução
prussiana de Março, nem com a revolução inglesa de 1648, nem com a
francesa de 1789.
Em 1648, a burguesia estava ligada à
nobreza moderna contra a realeza, contra a nobreza feudal e contra a Igreja
dominante.
Em 1789, a burguesia estava ligada ao povo
contra realeza, nobreza e Igreja dominante.
A revolução de 1789 tinha por modelo (pelo
menos, na Europa) apenas a revolução de 1648, a revolução de 1648 apenas a
insurreição dos Países Baixos contra a Espanha. Ambas as revoluções estavam
avançadas um século, não apenas pelo tempo, mas também pelo conteúdo,
relativamente aos seus modelos.
Em ambas as revoluções, a burguesia era a
classe que realmente se encontrava à cabeça do movimento. O proletariado
e as frações da população urbana não pertencentes à burguesia não
tinham ainda quaisquer interesses separados da burguesia ou não constituíam
ainda quaisquer classes, ou sectores de classes, autonomamente desenvolvidas.
Portanto, ali onde se opuseram à burguesia, como, por exemplo, de 1793 até
1794, na França, apenas lutaram pela perseguição dos interesses da burguesia, ainda que não à
maneira da burguesia. Todo o terrorismo francês não foi mais do que
uma maneira plebeia de se desfazer dos inimigos da burguesia, do
absolutismo, do feudalismo e da tacanhez pequeno-burguesa.
As revoluções de 1648 e de 1789 de modo
algum foram revoluções inglesas ou francesas, foram revoluções de estilo europeu. Não
foram a vitória de uma classe determinada da sociedade sobre a velha
ordem política; foram a proclamação da ordem política para a nova sociedade
europeia.
Nelas, a burguesia venceu; mas a vitória
da burguesia foi então a vitória de uma nova ordem social, a vitória
da propriedade burguesa sobre a feudal, da nacionalidade sobre o
provincianismo, da concorrência sobre a corporação, da divisão [da propriedade]
sobre o morgadio, da dominação do proprietário da terra sobre o domínio do
proprietário pela terra, das luzes sobre a superstição, da família sobre o nome
de família, da indústria sobre a preguiça heróica, do direito burguês sobre os
privilégios medievais.
A revolução de 1648 foi a vitória do século
XVII sobre o século XVI, a revolução de 1789 a vitória do século XVIII sobre o
século XVII. Estas revoluções exprimem mais ainda as necessidades do mundo de
então do que das regiões do mundo em que se deram, a Inglaterra e a França.”
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