terça-feira, 9 de agosto de 2016

Sufrágio Universal. De Engels a Delfim.

Em 6 de março de 1895, 5 meses antes de sua morte (5/8/1895), Engels produz um de seus mais amadurecidos ensaios, ao fazer a introdução de mais uma edição alemã da “A Luta de Classes na França”. O texto, tb conhecido como o “testamento de Engels”, faz a defesa do sufrágio universal. Selecionei alguns trechos e, a seguir, comentários de Delfim Netto no Valor Econômico sobre o mesmo tema, passados + de 120 anos. Coincidências ??!!!

“O modo de luta de 1848 está hoje ultrapassado em todos os aspectos.” “Com esta utilização vitoriosa do sufrágio universal entrará em ação um modo de luta totalmente novo do proletariado, modo de luta esse que rapidamente se desenvolveu.” ”A ironia da história universal põe tudo de cabeça para baixo. Nós, os "revolucionários", os "subversivos", prosperamos muito melhor com os meios legais do que com os ilegais e a subversão.” Engels  6 de março de 1895

“ O grande adversário foi criado pela organização política do trabalho que recusou sua completa mercantilização e inventou o sufrágio universal, o mais poderoso instrumento civilizador dos mercados”. Delfim Netto 3 de março de 2015

“A  isso se chamou  “capitalismo” que não é uma coisa, mas um processo histórico que sobreviveu porque o poder econômico do capital foi relativizado pela invenção do sufrágio universal que produz um viés politico a favor do trabalho. Ele nem é eterno, nem perfeito.”  Delfim Netto  7 de julho de 2015


“No nível do conhecimento teórico e empírico a que chegamos não pode haver dúvida. Num mundo tão desigual entre países, com tantas tensões dentro deles e com o empoderamento continuado da sociedade pelo sufrágio universal, nenhum país poderá dispor da independência da sua política monetária!” Delfim Netto 9 de agosto de 2016

domingo, 7 de agosto de 2016

Carta de Henrietta a seu filho Marx.

Em 1836, estudante de direito em Bonn, o jovem Karl recebe carta com recomendações maternas:
"Você não deve considerar de modo algum uma fraqueza feminina se eu agora estiver curiosa para saber como tem administrado sua vida doméstica, se a economia representa também algum papel, o que é uma necessidade inevitável tanto para grandes como para pequenas casas.
Permito-me assim observar, querido Karl, que você nunca deve considerar limpeza e ordem coisas secundárias, pois disso depende a saúde e o bem-estar.
Observe rigorosamente que seu quarto seja lavado.
E lave-se você também, querido Karl, semanalmente com esponja e sabonete."


Jenny e Marx


A paixão de Marx por sua Jenny foi celebrada em versos do jovem poeta, já postados aqui no blog
. Reservei este espaço para o registro do casamento, em 19 de junho de 1843, feito por  Anna Marina Madureira em “Marx e as mulheres”.

“........ a despeito de tanto medo e insegurança, o casamento, por fim, realizou-se em condições bastante especiais. A oitenta quilômetros de Trier, no elegante balneário de Kreuznach, tendo sido acompanhado apenas pela mãe e um dos irmãos da noiva, Edgar, amigo de Karl desde a infância, além de outros poucos amigos locais. Ninguém da família Marx compareceu. Após a cerimônia, os noivos embarcaram em viagem de lua de mel pelo Reno, da qual retornaram para a casa da baronesa em Kreuznach, até que se definisse onde e quando surgiria o novo jornal que abrigaria Marx.
Contudo, antes mesmo da definição, o casal já se mudava para Paris, cidade na qual, em 1º de maio de 1844, nasceria a primeira filha de ambos, chamada Jenny, como a mãe, porém, mais conhecida como “Jennychen”, o diminutivo do nome. Entretanto, as dificuldades iniciais com a maternidade levariam Jenny e a filha de volta a Trier, enquanto Marx permaneceria em Paris, dedicando-se ao primeiro e único número do novo jornal e iniciando-se no estudo da economia política britânica.”


sábado, 6 de agosto de 2016

Hobsbawm e a forma final do socialismo.

Em 1987, 2 anos antes da queda do muro, Hobsbawm publica o texto “Proposta para uma sociedade boa” onde faz um apelo para a esquerda “repensar o socialismo a sério”. Selecionei um pequeno trecho para reflexão.
“O socialismo é um instrumento, não um programa, e tudo que podemos dizer sobre a forma final que o socialismo teria no futuro é que, tal como Karl Marx, não sabemos. Qualquer tentativa de elaborar o mapa da utopia em meio às linhas daquilo que consideramos desejável, no momento, deve fracassar (exceto, talvez, para certos tipos de comunidades pequenas inteiramente autocontidas).”


O fetichismo da mercadoria fé.

Um texto relevante de Alexandre Gomes – reproduzido no blog “O Espiritualismo Ocidental” – revela como o conceito de fetichismo da mercadoria, criado por Marx, é “um dos mais úteis para se compreender a realidade do mundo pós-moderno, apropriadamente chamado de sociedade de consumo.” Segue um pequeno e estimulante trecho:

 “O conceito de fetichização dos bens culturais, tal como é desenvolvido em Adorno, talvez forneça uma pista importante para se compreender também outros aspectos da sociedade pós-moderna: Até que ponto não é possível falar, por exemplo, de uma fetichização da fé, transformando a salvação em mera mercadoria e a apreciação das palavras reveladas como um setor específico da indústria de espetáculos?
Consumiriam-se pregações assim como se consome a música da moda na FM, não pelo valor intrínseco da mensagem, pelo prazer e reflexão que ela proporcionaria, mas da mesma forma como se consome um iogurte ou se veste uma roupa de grife.”
Íntegra do texto em

http://oespiritualismoocidental.blogspot.com.br/2011/03/salvacao-como-mercadoria-e-espetaculo.html