domingo, 14 de junho de 2015

Marx na Bienal de Veneza. 5

Segue mais um trecho do texto do nigeriano Okwui Enwezor , curador da Bienal de Veneza 2015, sobre o programa de leituras do “Das Kapital”.

“Uma parte essencial deste programa de leituras ao vivo, é "Das Kapital" um enorme projeto bibliográfico meticulosamente pesquisado, concebido pelo diretor artístico no Pavilhão Central. Este programa, acontece diariamente durante quase sete meses, sem parar e se inicia com uma leitura ao vivo dos quatro volumes de Das Kapital de Marx e, gradualmente, expandir-se para recitais de músicas de trabalho, libretos, leituras de scripts, debates, plenárias e sessões de cinema dedicados a diversas teorias e explorações de O Capital. No decorrer da 56ª Bienal de Arte, grupos de teatro, atores, intelectuais, estudantes e membros do público serão convidados a contribuir para o programa de leituras que irá inundar e impregnar as circundante galerias com vozes em uma exibição épica da oralidade.”

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Marx na Bienal de Veneza. 4

O nigeriano Okwui Enwezor , curador da Bienal de Veneza, 2015, produziu um texto estimulante para justificar a forte presença de Marx no evento. Segue a tradução livre de um trecho:
“Capital: Uma Leitura ao Vivo
Além do destempero e da desordem no atual "estado de coisas", há uma preocupação generalizada que tem estado no centro do nosso tempo e da modernidade. Essa preocupação é a natureza da Capital, tanto a sua ficção como a sua realidade.  O Capital é o grande drama do nosso tempo. Hoje, nada é mais predatório na economia que a voracidade da indústria financeira. A exploração da natureza através da mercantilização de seus recursos naturais, a crescente estrutura de desigualdade e o enfraquecimento do contrato social mais amplo têm obrigado recentemente uma exigência de mudança. Desde a publicação do consistente “O Capital.Crítica da Economia Política”, em 1867, a estrutura e a natureza do capital tem cativado pensadores e artistas, bem como os teóricos políticos inspirados, economistas e estruturas ideológicas em todo o mundo. Em todos os futuros do mundo, a aura, efeitos, afeta, e espectros de Capital serão sentidos em uma das explorações mais ambiciosos deste conceito e termo.”


Marx na Bienal de Veneza. 3

O jornal marxista italiano The Tomorrow promove seminários de finais de semana sobre a obra central de Marx. Segue a tradução livre da apresentação feita pelo periódico:

“A Exposição “The Tomorrow”  está focada no Das Kapital, não apenas como um campo abstrato de dispositivos lógicos e econômicos, mas sim como um repositório potencial de histórias e figuras. Na Bienal de Arte, “The Tomorrow” faz um esforço para imaginar os personagens e as figuras que poderiam fazer uso das ferramentas de Marx no mundo contemporâneo. As estórias de Das Kapital se constituem em uma busca por temas modernos para representar o drama Capital. The Tomorrow  oferece seminários de fim de semana, durante o qual o foco vai mostrar à narrativa épica e dimensão do livro de Marx ". Obs. Um pouco do sonho do cineasta russo Eisenstein (Serguei Mikhailovitch Eisenstein), de filmar a obra de Marx.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Marx na Bienal de Veneza.


Marx, mais vivo do que nunca, é uma das atrações da Bienal de Veneza . Acompanhei um trecho das leituras de O Capital – “Das Kapital Oratorio”. Durante os próximos dias farei algumas postagens sobre o tema, inclusive, partes do texto de Okwui Enwezor, o nigeriano marxista e curador da Bienal.
O programa de leituras ao vivo, do "Das Kapital" é um enorme projeto bibliográfico meticulosamente pesquisado, concebido pelo diretor artístico no Pavilhão Central. Todos os dias ocorrerão, durante quase sete meses, sem parar, a leitura ao vivo dos quatro volumes de Das Kapital  que se desdobram em recitais de músicas, debates, plenárias e sessões de cinema dedicados a diversas teorias e explorações da Capital. No decorrer da 56ª Bienal de Arte, grupos de teatro, atores, intelectuais, estudantes e membros do público são convidados a contribuir com o programa de leituras. Segue uma foto da plateia.

terça-feira, 26 de maio de 2015

O papel do Estado na crise mundial.

Denis Collin afirma, em seu blog, que a crise financeira mundial confirma, de maneira clara, as análises do velho Karl. Segue minha tradução livre.
“A crise financeira de 2007/2008 e suas consequências confirmam de maneira clara as análises de Marx : o modo de  produção capitalista somente pode funcionar reproduzindo o capital sempre em uma escala  ampliada. Ou a busca de um processo de acumulação exige o recurso crescente ao credito e a todas as formas de investimento financeiro que permitam a distribuição, não de lucros reais, gerados no processo de produção, mas de ganhos antecipados, isto é, que não correspondam a um capital produtivo gerado pela mais valia.
É o que Marx chama de “capital fictício”. A massa do capital fictício terminou por incorporar o capital realmente investido, que é, ele mesmo, confrontado aos problemas crescentes de ajuste de valor, que Marx denominava de baixa tendencial  da taxa de lucro.
O exemplo da industria automobilística é particularmente esclarecedor para compreender, ao mesmo tempo, esta baixa das taxas de lucro e o peso crescente dos “produtos financeiros”.
Nesta situação e em uma escala gigantesca, encontramos ainda as análises de Marx sobre o papel da dívida pública na formação deste capital fictício. Que o Estado seja reduzido a “conselho de administração dos negócios comuns da burguesia” é certamente, desta maneira geral, uma concepção muito redutora. Durante as “trente glorieuses” ( obs. do tradutor: Período de grande crescimento de 1945 a 1973, nos países membros da OCDE, tb conhecido, na França, como a Revolução Invisível) o Estado foi o lugar da aposta nas lutas sociais para assegurar um desenvolvimento próximo da estabilidade do modo de produção capitalista, e  ele teve que proteger e , por vezes, organizar as conquistas sociais correspondentes às reivindicações dos assalariados.
Mas o se que chamou usando a expressão inadequada de “revolução neo-liberal” foi uma vasta operação política remetendo o Estado à sua clássica definição marxista.

A percepção da falência do sistema financeiro e sua consequência nos custos para os cidadãos acabou por reposicionar os governos como simples apoios de poder do capital financeiro.”

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O Modo de Produção Capitalista e a Indústria 4.0

Em 18 de maio de 2015, Frederico Tagliani publica um texto estimulante sobre “Indústria Inteligente, a nova revolução”. Tagliani registra as 4 revoluções industriais. A primeira, no final do século 18 com a máquina a vapor e a mecanização dos processos de fabricação. A segunda com a introdução da energia elétrica e a produção em massa ( vide Henry Ford). A terceira na década de 70, com a crescente automação empurrada pela eletrônica/automação. E , finalmente, a quarta revolução, que estamos começando a viver, com os processos computacionais controlando os processos físicos – Internet das Coisas (IoT), Big Data, sistemas de cyber-física(CPS), etc. A Alemanha usa a expressão “Indústria 4.0” para definir este novo momento. Seria possível ajustar as análises/conclusões de Marx/Engels sobre o Modo de Produção Capitalista – consolidado em O Capital, volume 1 – a este novo momento ?

terça-feira, 12 de maio de 2015

Gramsci no centenário (1918) do nascimento de Marx.

“Somos marxistas? Existem marxistas? Somente tu, estupidez, és eterna. Essa questão provavelmente ressuscitará nestes dias, por ocasião do centenário, e consumirá rios de tinta de estultice. A vã quinquilharia e o bizantinismo são heranças inalteráveis dos homens. Marx não escreveu um catecismo, não é um messias que tenha deixado uma fieira de parábolas carregadas de imperativos categóricos, de normas indiscutíveis, absolutas, fora das categorias do tempo e do espaço. Seu único imperativo categórico, sua única norma é: "Proletários do mundo inteiro, uni-vos."